A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) vai retirar nos próximos dias da Fazenda Refúgio as pessoas que foram proibidas de trabalhar no lixão de Londrina e atualmente separam materiais recicláveis na área pública na zona sul da cidade. A separação de resíduos na fazenda será desativada.
Os ex-garimpeiros reclamam que foram abandonados pela direção da CMTU, que teria prometido suporte técnico para eles. A fazenda vem sendo usada para treinamento de trabalhadores desde junho, quando foram proibidos de atuar no aterro sanitário. Dos 19 ex-garimpeiros transferidos do ''lixão'', apenas 10 continuam na fazenda. O restante, segundo a CMTU, já formou organizações não-governamentais ou associações de catadores de lixo reciclável.
Os catadores que ainda estão na fazenda dizem que passam dificuldades financeiras porque a CMTU envia pouca quantidade de lixo reciclável. Eles alegam que ficam pelo menos a metade do dia sem ter o que fazer, por falta de material de trabalho. ''Antes, no lixão, nós conseguíamos até R$ 200,00 por semana. Aqui, a gente mal consegue R$ 50,00 por mês. Fomos enganados. Disseram que aqui nós poderíamos ter trabalho digno. Mas que dignidade é essa que faz a gente passar necessidade?'', indaga Antonio Ferreira da Silva, 46 anos.
Os catadores também reclamam que não têm equipamentos de trabalho, como luvas e máscaras, e que ficam expostos à contaminação principalmente pelo lixo hospitalar, que não deveria ir para a fazenda. O presidente da CMTU, Wilson Sella, diz que esse tipo de material é misturado junto ao lixo reciclável por moradores que têm pessoas doentes em casa. ''Não há como evitar isso. A população é que precisa ter mais respeito com os catadores'', afirma.
Sella garante que os 10 catadores que ainda são treinados na fazenda serão orientados a criar uma ONG ou associação. Ele argumenta que o prazo de 90 dias dado pela CMTU para os ex-garimpeiros permancerem no local já terminou. Ele também alega que a produção de lixo reciclável em Londrina, 14 toneladas ao dia, é dividida entre as 14 ONGs e associações já existentes e que, por isso, a fazenda vem recebendo pouca quantidade do material.

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