Ex-garimpeiros ameaçam invadir o lixão
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Edna Mendes<br> De Londrina 
Os ex-garimpeiros do lixão que hoje trabalham na reciclagem de lixo na Fazenda Refúgio, área pública na zona sul da cidade, ficaram revoltados ontem ao saber que serão retirados do local nos próximos dias pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Eles alegam que não têm para onde ir e ameaçam voltar a garimpar lixo no aterro sanitário, mesmo que haja confronto com a polícia. ''Já está difícil sobreviver trabalhando aqui. Se tivermos que sair, vamos voltar para o lixão'', disse Paulo Felipe, 32 anos.
Os 10 recicladores que trabalham na fazenda foram retirados do ''lixão'' no dia 10 de junho pela CMTU, juntamente com outras nove pessoas que já deixaram a área pública. Na época, a companhia teria informado ao grupo sobre o prazo provisório de 90 dias para permanência na fazenda. Os 10 recicladores dizem que o presidente da CMTU, Wilson Sella, teria afirmado posteriormente que o grupo poderia permanecer por tempo indeterminado no local. Sella informou ontem que pode negociar a prorrogação do prazo, caso os recicladores tenham interesse.
Durante mais de 20 anos garimpeiros trabalharam no aterro sanitário, o ''lixão'', na coleta de material reciclável. Eles afirmam que trabalhando no aterro conseguiam ganhar até R$ 200,00 por semana. Hoje, os recicladores alegam que não têm renda mensal superior a R$ 50,00.
Segundo a CMTU, os outros recicladores que saíram da fazenda montaram associações e organizações não-governamentais (ONGs). A proposta da companhia é que os recicladores da fazenda também montem associações. Mas eles dizem que não têm condições financeiras e que não querem garimpar lixo reciclável nas ruas. ''Nós nunca trabalhamos na rua e não queremos fazer isso. A prefeitura não pode colocar a gente para coletar lixo reciclável, sendo que a Vega Ambiental é paga para fazer isso. Nós estamos sendo injustiçados e queremos apenas trabalhar'', disse Edson Isaías da Silva, que passou 22 anos garimpando lixo no aterro sanitário.


