Ex-garimpeiro tem saudade do lucro do 'Lixão'
A proposta da cooperativa foi bem recebida pela maioria dos integrantes de ONG, mas alguns ex-garimpeiros do lixão ainda lamentam a baixa rentabilidade desde a saída deles do aterro sanitário de Londrina.
Para o Grupo Esperança da Vila Marízia (zona norte da cidade), a proposta vai reforçar outro projeto em andamento na sede, que recebeu recursos de uma entidade japonesa para construir um barracão de 600 metros quadrados. A doação foi de R$ 74 mil e temos que seguir a risca o cronograma das obras. A inauguração está marcada para dia 17 de julho, disse a coordenadora da ONG, Verônica Cardoso Costa, 28 anos.
O grupo é composto por 17 pessoas (maioria mulheres) e foi criado há cerca de um ano. A produção média quinzenal é de 10 toneladas de materiais reciclados e a renda mensal gira em R$ 150,00. O pessoal recebe também uma cesta básica, participa de grupos de alfabetização e ainda tem o filho inscrito em atividades teatrais e esportivas. Caso haja uma falta justificada, o dia não é descontado. A rentabilidade não é alta, mas compensa para essas pessoas. Sem estudo e sem qualificação, elas encontram dificuldade para integrar o mercado de trabalho, explicou Verônica, lembrando que a cooperativa e o futuro barracão devem aumentar a renda em pelo menos 50%. O centro de reciclagem funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.
Ao contrário das mulheres da Vila Marízia, os catadores de material reciclado do Grupo Itapuan-Sul (zona sul de Londrina) demonstraram certo receio com a proposta da cooperativa. Para o coordenador Jair Gonçalves Feltrin, 52, que foi garimpeiro do aterro durante 16 anos, os ganhos diminuíram consideravelmente depois que a Justiça determinou a saída dele do lixão. Não tirava menos que R$ 800,00 por mês. Hoje, seis meses trabalhando aqui, estou com três prestações da casa atrasadas, disse Feltrin, ressaltando estar ciente da péssimas condições de vida que tinha no aterro. Precisamos trabalhar muito aqui e não podemos chamar mais gente para a ONG porque diminuiria a renda. Não sei se cooperativa vai melhorar ou piorar a situação, disse o catador.





