Os últimos 13 anos dos 42 de vida do londrinense Paulo Venâncio Felipe, o Paulão, foram vividos em torno do lixo reciclável. Destes, quase a metade ele passou garimpando no aterro sanitário. Lá, ganhou o suficiente para adquirir terreno, construir casa e comprar um Fusca. Obrigado a se transferir do lixão para uma ONG, Paulão hoje fala com saudade daquele tempo porque, segundo ele, o dinheiro raleou.
Fundador da ONG Refúgio, que coleta até 15 toneladas na Área Central e faz a separação em área cedida pela Cohab na antiga Fazenda Refúgio (Zona Sul), Paulão reclama que, por falta de estrutura - não pode trabalhar com nota fiscal -, é obrigado a vender para intermediários. O que sobra, mal dá para pagar as despesas com funcionários (são 10 pessoas ganhando R$ 17,00 por dia).
E, para completar, os preços caem nesta época do ano porque muitas indústrias param de comprar ou compram menos do que no segundo semestre. O quilo do papelão, por exemplo, que já vendeu por R$ 0,35 agora está em R$ 0,25 e ele prevê que o preço pode cair para R$ 0,16.
Paulão começou a garimpar no ''lixão'' após perder o emprego como operador de extrusora. ''Cheguei a ganhar R$ 1,4 mil em um mês trabalhando das 6 horas até o meio-dia.'' Hoje o reciclador ganha pouco mais de R$ 1 mil mensais. (L.A.)

mockup