Ex-funcionários lembram das viagens com saudade
Conforto e segurança. Para quem utilizava o transporte ferroviário rotineiramente, estas eram as principais qualidades do trem de passageiros. O aposentado José Ribeiro, 59 anos, é um dos saudosos usuários do sistema e se emociona ao lembrar das viagens na infância. ''Desde menino, sempre andei de trem de passageiro. Era muito confortável. A viagem sempre era agradável'', relembrou.
Ribeiro conhece de perto o universo da locomotiva e vagões. Por 30 anos trabalhou em diversas funções em empresas ferroviárias do Sul e Sudeste do País. Em cada viagem, pelo menos 60 passageiros ocupavam os cerca de 80 vagões da linha. O conforto era garantido pelos compartimentos especiais. Além dos vagões de primeira e segunda classe, havia o restaurante e os dormitórios. ''A gente podia viajar tomando uma cerveja, almoçando, conversando com a família. Não dava nem solavanco'', contou.
Também aposentado, Roosevelt Machado, 66, foi companheiro de trabalho de Ribeiro durante 20 anos. Ele atuou como mensageiro em Ourinhos (SP) e Londrina. Membro de uma família de ferroviários, ele destaca o número de empregos gerados pelo setor, na época do auge do transporte de passageiros. ''Além do maquinista, foguista e auxiliar, também trabalhavam o pessoal do restaurante, como o cozinheiro e os garçons, e os funcionários que ficavam nas estações'', enumerou. ''Os funcionários da ferrovia formavam uma imensa família'', emocionou-se Machado.
Como funcionários, Ribeiro e Machado obtinham desconto e até passe livre para viagens nos trens da companhia. ''Era barato e as viagens até que eram rápidas. Pouco mais de duas horas até Maringá. Daqui a Ourinhos levava umas quatro horas'', rememorou Ribeiro. Ele destacou também a importância da ferrovia para o desenvolvimento de cidades na região.
Com conhecimento de causa, a dupla de ex-funcionários salienta que a reativação depende de investimento em infra-estrutura. Segundo eles, a maior parte do leito férreo está atualmente abandonada. ''É necessário bastante investimento para recuperação das linhas e das estações'', analisou Ribeiro. ''Hoje, infelizmente, o leito está abandonado. Tomado pelo mato em muitos trechos.'' (F.R.F.)





