Ex-funcionárias do Grupo de Apoio à Pessoa com Câncer (GAPC), de Londrina, estiveram em frente ao Fórum da Justiça do Trabalho para protestar contra a falta de pagamento de indenizações trabalhistas. Em novembro do ano passado, a Organização Não-Governamental (ONG) fechou as portas depois que a Polícia do Paraná descobriu um esquema de desvio de dinheiro de doações.
Segundo o grupo de ex-funcionárias, os acordos trabalhistas fechados entre março e maio deste ano estabeleciam que as dívidas seriam parceladas entre 10 e 12 vezes. Cada um dos quase 60 funcionários teriam direito a quantias de R$ 5 mil a R$ 12 mil. Entretanto, as parcelas teriam deixado de ser pagas em julho. ''Os ex-diretores têm mansões, carros de luxo, abriram lojas de móveis em Londrina e ainda não querem pagar a gente. Estamos com o nome sujo em tudo quanto é lugar por causa do atraso nos pagamentos'', reclamou Cleide Mathias, que trabalhou na entidade em Londrina por mais de quatro anos. Outra ex-funcionária, Jenifer Kamila Lino, desabafou: ''Está fazendo um ano que o GAPC daqui foi fechado, mas não temos velinha para apagar. Para a gente está tudo muito difícil''.
A FOLHA procurou a juíza da 4 Vara Trabalhista, Eliane de Sá Marsiglia, responsável por alguns dos processos, mas ela estaria despachando em casa ontem. A reportagem também telefonou para as sedes da ONG em Taubaté e Campinas mas ninguém atendeu as ligações.
Conforme as ex-funcionárias, a arrecadação mensal em Londrina girava em torno de R$ 150 mil a R$ 300 mil. A sede local foi fechada depois que a polícia desmontou um esquema de fraude nas doações. Na época, estimou-se que o golpe teria rendido cerca de R$ 30 milhões somente no ano passado aos diretores da ONG. O GAPC encerrou as atividades no Paraná mas continua atuando em São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.

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