O vereador Aparecido Custódio da Silva (PFL) está sendo acusado de se apossar de parte dos salários dos funcionários que trabalham em seu gabinete. Representados pelo advogado Mozarte de Quadros, três ex-funcionários oficializaram a denúncia e a protocolaram ontem na Câmara Municipal de Curitiba, pedindo a cassação do mandato do vereador.
Vilmar Honorato de Melo, Esli Bueno Yamamoto e Ervino Roberto de Lima acusam o vereador de ter ficado com 80% de seus sálarios na época em que trabalharam na Câmara. Os três ex-funcionários ocupavam cargos comissionados, na posição de assessores de Aparecido Custódio. Vilmar, que trabalhou no período de julho de 93 a julho de 96, chegou a ser chefe do gabinete do vereador. Ervino ficou no gabinete de janeiro de 97 a maio de 98, enquanto Esli trabalhou no período de janeiro a outubro de 98.
Durante esse período, o advogado calcula que o vereador deve ter se ficado com pelo menos R$ 100 mil, retirados dos salários dessas três pessoas. Mozarte está pedindo à presidência da Câmara Municipal que instaure uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as denúncias. O advogado também questiona a participação de funcionários do Banestado - posto avançado da Câmara - no suposto esquema montado pelo vereador.
O vereador negou as acusações, alegando que estão querendo denegrir a sua imagem. Custódio afirmou que esses ex-funcionários foram exonerados porque receberam uma oferta melhor de trabalho, com salários melhores, que ele como vereador não poderia cobrir. O vereador também acusa essas pessoas de terem passado para a oposição. Por isso, estariam querendo prejudicá-lo.
Custódio disse ainda que nem sabe quanto seus assessores ganham e também que nunca mexeu em seus salários. Sobre os recibos apresentados pelo advogado, que teoricamente comprovariam as denúncias, Custódio explicou que eles são referentes a serviços extras, que não possuem nenhuma relação com os salários pagos na Câmara.
O vereador acusa esses ex-funcionários de terem sumido com documentos importantes do gabinete na época em que foram exonerados. Segundo Custódio, eles não foram mandados embora, mas tiveram que ser exonoredos porque pediram demissão.
Os ex-funcionários possuem recibos que comprovam o desvio do dinheiro. Eles alegam que a mulher do vereador, Lucinda Terezinha da Silva, tinha acesso às contas abertas no Banestado para o recebimento do salário.
Além de protocolar as denúncias no Legislativo, o advogado também encaminhou cópias do processo à Polícia Federal e ao Ministério da Fazenda. Mozarte quer que o vereador seja investigado por crime contra o sistema financeiro, por causa da suposta relação com o Banestado, e também contra a ordem tributária.Kraw PenasO advogado anexou à denúncia contra o vereador cópias de cheque administrativo do BanestadoGiovani Ferreira

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