Ex-funcionário de faculdade ganha ação por racismo
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
O juiz Bráulio Gusmão, da 11ª Vara do Trabalho, deu sentença favorável ao pedido de indenização por danos morais feito pelo ex-funcionário da Faculdade Espírita do Paraná, Haroldo Pereira, 42 anos. Ele acusa o prefeito do campus da faculdade, Ailton Pereira Martins, de humilhação e discriminação. Haroldo pode receber cerca de R$ 12 mil. A instituição entrou com uma medida de embargos de declaração, pedindo esclarecimentos sobre a decisão do juiz, e deve entrar com recurso na tentativa de anular a sentença.
Independente de receber ou não o dinheiro, eu já me sinto vitorioso pela dignidade e senso de justiça com que meu caso foi tratado, declarou Haroldo. Ele contou que trabalhou durante seis meses controlando o estacionamento da faculdade e disse que se sentia perseguido por Ailton (seu chefe imediato).
A gota dágua, afirmou Haroldo, foi uma abordagem agressiva do administrador, em junho do ano passado, ao chamar sua atenção por não encontrá-lo em seu local de trabalho. Haroldo disse que se ausentou por cinco minutos para ir ao banheiro. O prefeito, segundo a vítima, o humilhou na frente de vários estudantes, dizendo que ele sendo negro e bicha não seria digno de usar o banheiro, e o ameaçou de demissão. Os alunos, que testemunharam a favor de Haroldo, afirmaram que o administrador do campus estava bêbado.
Haroldo e seu companheiro João de Oliveira Filho, 34 anos, que também trabalhava na Faculdade Espírita, foram demitidos cerca de três meses depois. O advogado da Faculdade Espírita foi procurado pela Folha, mas não retornou as ligações. Ninguém da administração da faculdade, informou uma secretária, iria se manifestar sobre o assunto.


