O limite de abstinência de Elemar Schmidt, 44 anos, auxiliar de enfermagem, sempre foi um mês e meio. Mas desde que resolveu fazer acompanhamento profissional para largar o vício, em fevereiro, não fumou mais. ''Eu era fumante há 20 anos, e nunca tinha conseguido ficar tanto tempo sem cigarro. Desta vez é definitivo. Não vou mais fumar'', diz Elemar, um dos funcionários do Hospital do Coração que está se beneficiando do Programa de Abandono do Tabagismo.
Orgulhoso, Elemar revela que sente-se mais disposto e que até o paladar melhorou. Estas sensações têm feito com que ele tire de letra os momentos considerados mais difíceis, como o intervalo logo após refeição, quando todo fumante, invariavelmente, acende um cigarro.
Denilson de Oliveira Chaves, 33 anos, porteiro, é outro vitorioso. Depois de 18 anos de dependência, ele enfim conseguiu ver-se livre do vício, que o levava a consumir mais de dois maços por dia. ''Era uma espécie de fuga para o estresse causado pela dupla jornada de trabalho'', conta Denilson. A melhora na disposição e no humor o surpreendeu. ''Achei que ia ser justamente o contrário.''
Denilson até hoje enfrenta uma dificuldade extra: o fato da mulher ser fumante. No começo, ele diz que não resistia e roubava-lhe o cigarro de manhã. ''Agora é o contrário. O cheiro da fumaça, quando ela está fumando, me incomoda.'' A exemplo de Elemar, Denilson participa do programa desde fevereiro.
Para Silvania Marques Figueiredo, 40 anos, enfermeira especializada em cardiologia, conseguir parar de fumar foi, antes de tudo, um alívio. ''Sempre tive dificuldade de convencer os pacientes de que eles precisavam parar de fumar, porque eu mesma não conseguia. Diante de determinadas situações com que eu me deparava no dia-a-dia da profissão, pensava que eu precisava abandonar o cigarro, mas acho que esta decisão não estava suficientemente amadurecida em mim'', afirma. (S.L.)

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