O estado de saúde da professora Maria Aparecida Basso, de 52 anos, era o que mais preocupava a diretoria da APP-Sindicato. Ela, que fazia parte do grupo de professores que fez greve de fome por sete dias, apresentou várias quedas bruscas de pressão arterial, ameaças de desmaio e distúrbios de visão. Na tarde de ontem, Maria Aparecida estava lúcida, apesar dos boatos de que estaria tendo lapsos de memória e delírios religiosos. ‘‘Eu sou mesmo muito religiosa e agradeço a Deus por não ter perdido o raciocínio’’, disse por volta das 15h30 de ontem, antes de saber que a greve seria suspensa.
Convencida de que a greve de fome era uma forma de luta legítima para pressionar o governo do Estado, ela afirmou que estava participando da manifestação para defender a escola pública e o ensino de qualidade para todos. ‘‘As oportunidades de estudo devem ser iguais para ricos e pobres.’’
Ex-freira - Maria Aparecida foi apóstola do Sagrado Coração de Jesus entre 1967 e 1993 - a professora usou a fé para suportar os sintomas da falta de alimentação. Sempre com um terço nas mãos, ela disse que não se importava com a própria morte. ‘‘Eu trabalhei pela educação a vida inteira e não posso fraquejar agora’’, disse.
Mencionando a construção de novas salas de aula e a necessidade de valorizar mais o ensino público como os problemas mais urgentes a serem solucionados na rede pública estadual de ensino, Maria Aparecida rezou enquanto esteve na Assembléia Legislativa. O objetivo era sensibilizar o governador Jaime Lerner. ‘‘Eu espero que Deus toque o coração do governador’’.Leandro TaquesAo participar da greve de fome, a professora Maria Aparecida Basso, de 52 anos, teve problemas de saúde que preocuparam colegasAndrea Vendramini

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