Ex-favelados frequentam curso de alfabetização em C.Mourão
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Parceria entre a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) e a Secretaria Municipal de Saúde e Bem Estar Social de Campo Mourão deu início esta semana a três cursos profissionalizantes e um de alfabetização para para um grupo de ex-favelados da cidade.
Em setembro e outubro serão iniciados outros três cursos. Ao todo, os sete cursos vão envolver 114 moradores das 140 famílias dos conjuntos Condor e Pinheirais, que substituíram antigas favelas.
Somente no curso de alfabetização estão matriculados 20 moradores dos dois conjuntos. Uma delas é a dona de casa Ana Rosa Ferreira, 47 anos. Sempre tive vontade de estudar, mas fui criada na roça e desde cedo tive que trabalhar, conta ela, empolgada com as primeiras lições. Ana Rosa sonha em poder ler a Bíblia. Ela também está participando do curso de pães, bolos e salgados para tentar uma renda extra em casa.
A dona de casa Jandira de Souza, 45, se matriculou no curso de alfabetização mesmo já sabendo ler e escrever. Estudei até o segundo ano, mas quero ver se melhoro para fazer contas, explica. Só sei fazer as contas de mais e de menos. Quero aprender as contas de vezes.
Jandira não vai sozinha às aulas, que acontecem no salão comunitário do conjunto. Ela leva o marido, José Claudino Ferreira, 38, que é analfabeto. Posso ensinar a ele o pouco que sei, diz.
Os sete cursos aos ex-favelados vão custar R$ 10,5 mil à Cohapar. O chefe do escritório regional da Cohapar em Campo Mourão, Sebastião Carlos Mauro, disse que a idéia inicial era financiar pequenos negócios aos moradores, mas a proposta foi alterada devido à carência de mão-de-obra especializada no local. Assim podemos atender um maior número de pessoas e melhorar as chances delas ingressarem no mercado de trabalho, explicou.
Foram os próprios moradores que escolheram os cursos oferecidos. José Carlos de Souza, 15, optou pelo curso de informática que tem 14 alunos. Nunca tinha mexido num computador antes, disse. É muito legal. As aulas acontecem numa escola no centro da cidade. Já tinha visto o computador no colégio, mas não tinha como pagar o curso, conta Edilaine Aparecida Diolino, 15. Se tivessem que pagar, o curso de seis meses custaria R$ 275,00.
Também já foi iniciado o curso de manicure e pedicure. A partir de setembro será a vez dos cursos de corte e costura, culinária e de secretária do lar.


