Curitiba A Justiça do Paraná tornou indisponíveis os bens de três ex-diretores da Urbs, a companhia que cuida do transporte coletivo em Curitiba. Fric Kerin, ex-presidente da Urbs; José Alvaro Twardowski, ex-diretor de Trânsito (Diretran); e Euclides Rovani, ex-diretor de Transporte, estão com todos os seus depósitos bancários bloqueados por ordem da juíza da 3 Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Elizabeth Nogueira Calmon de Passos, que autorizou também a quebra de sigilo fiscal da ex-diretoria.
Os três são acusados pelo Ministério Público estadual de serem os responsáveis pelo perdão de multas aplicadas por radar contra as empresas de ônibus que circulam pela cidade e que são gerenciadas pela Urbs. O perdão de multas foi denunciado pelo então líder do PT na Câmara de Curitiba, Adenival Gomes, e pelo agente de trânsito Aparecido Massaranduba de Almeida. Pelos cálculos do Ministério Público, a prefeitura deixou de arrecadar pelo menos R$ 4,8 milhões com o perdão. A juíza, em seu despacho, não fixa valores mas reconhece o prejuízo financeiro aos cofres municipais. Além de civilmente, com base na lei de improbidade administrativa, os ex-diretores também serão processados criminalmente.
Os promotores que investigaram o caso constataram que, entre abril de 2000 e abril de 2003, 37.817 autos de infração deixaram de ser lavrados pela Urbs. As multas por excesso de velocidade, aplicadas pelos radares, são classificadas pelo Código Brasileiro de Trânsito (CBT) como graves e gravíssima, custanto ao infrator R$ 120,00 e R$ 180,00, respectivamente. A prefeitura alega que desconhecia a medida, avalizada pelos três ex-diretores. Mesmo assim, a juíza, em seu despacho, mandou citar a prefeitura e Urbs como litisconsórcio facultativo. Ou seja, seus representantes atuais terão de se manifestar no processo como parte.
Fric Kerin não retornou ao recado deixado pela Folha em seu celular ontem. Euclides Rovani prefere se manifestar somente depois de conhecer o teor da decisão. José Alvaro Twardowski não foi localizado. Tanto a Urbs quanto a prefeitura aguardam a citação judicial para menifestarem-se.

mockup