Ex-diretores confirmam fraudes em licitações da AMA
Lucilia Okamura
De Londrina
Os ex-diretores da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Mauro Maggi e Nelson Kohatsu, confirmaram ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores de Londrina que licitações foram feitas de maneira irregular no órgão. Houve uma inversão: primeiro era feito o pagamento e depois a regularização das licitações e alguns serviços não foram realizados, afirmou o advogado dos dois, João Tavares de Lima Filho.
A CEI apura irregularidades na AMA e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e ontem tomou os dois primeiros depoimentos. Maggi respondeu às perguntas dos vereadores por cerca de duas horas. Kohatsu prestou depoimento durante 40 minutos. Os dois evitaram falar com os jornalistas e disseram que todas as informações seriam prestadas pelo advogado. No momento certo, na hora certa, tudo será divulgado, resumiu Kohatsu.
João Tavares disse que os ex-diretores recebiam ordens a serem cumpridas, sem dizer quem mandava. Deve ser um dos próximos convocados, esquivou-se. Questionado se seus clientes seriam então coniventes com as irregularidades nas licitações, ele respondeu: Eles não tinham este poder de negar, mesmo porque se negassem, outras pessoas fariam, afirmou. Não há conivência, eles simplesmente obedeciam.
Segundo o advogado, a AMA possui uma estrutura pequena e não tem dotação orçamentária nem autonomia para movimentar valores muito elevados. Como iria fazer isso sem que alguém que movimentasse o caixa da prefeitura soubesse?, questionou.
João Tavares afirmou que o teor dos depoimentos não seria divulgado para a própria segurança dos seus clientes e também para não atrapalhar as investigações da CEI. Tudo que eles sabiam, viram ou participaram eles falaram, afirmou.
O advogado informou que Maggi e Kohatsu entregaram aos vereadores cópias dos depoimentos que prestaram aos promotores Bruno Galatti (de Defesa do Patrimônio Público) e Cláudio Esteves (de Investigações Criminais), em agosto. Naquele mês, segundo ele, seus clientes procuraram os promotores espontâneamente para falar o que sabiam e foram beneficiados pela Lei de Proteção Especial a Vítimas e Testemunhas. A lei prevê redução de pena ou perdão judicial a quem ajudar nas investigações, dando informações importantes ou indicando os autores do delito.
Os promotores investigam, desde fevereiro, irregularidades em licitações realizadas na administração municipal. São cerca de 130 contratos da Comurb e outros 70 da AMA que giram em torno de R$ 15 milhões e que estão sob investigação.
Maggi e Kohatsu são algumas das 20 pessoas que estão indiciadas em inquérito policial, acusadas de peculato, formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos e particulares e crimes contra a lei federal de licitações.
As próximas pessoas a serem ouvidas pela CEI são o ex-diretor da AMA Júlio Bittencourt e o funcionário público Edson Alves da Cruz, que foi presidente da comissão de licitação da AMA.





