Curitiba O ex-presidente da Urbs Fric Kerin assumiu a responsabilidade sobre o perdão das multas aplicadas por radar contra as empresas de ônibus que circulam em Curitiba. Segundo ele, a decisão cabia exclusivamente à direção da Urbs (empresa que gerencia o transporte) e não passou pela Prefeitura de Curitiba, confirmando a versão defendida pela prefeitura anteontem. Kerin e outros dois ex-diretores da empresa são acusados pelo Ministério Público (MP) de causar prejuízo aos cofres municipais por causa do perdão das multas.
Segundo cálculos do Ministério Público (MP), a prefeitura deixou de arrecadar pelo menos R$ 4,8 milhões. Kerin, o ex-diretor de Trânsito José Alvaro Twardowski e o ex-diretor de Transporte Euclides Rovani tiveram o sigilo bancário quebrado e estão com os bens indisponíveis, conforme decisão da juíza da 3 Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Elizabeth Calmon de Passos.
A juíza não fixa valores sobre os possíveis prejuízos causados, mas reconhece o prejuízo financeiro ao cofres municipais. O caso do perdão das multas veio à tona depois de denúncias feitas pelo agente de trânsito Aparecido Massaranduba e pelo vereador Adenival Gomes (PT).
Kerin disse ontem que ainda não foi notificado da decisão, mas que vai recorrer assim que possível. ''Como coloquei desde o início das investigações, as decisões foram feitas na Urbs, nunca pela prefeitura'', afirmou. ''Desde 1987 adotamos o tacógrafo como instrumento de fiscalização. Com o novo código (Código Brasileiro de Trânsito), os órgãos de trânsito poderiam utilizar o tacógrafo também como controle de velocidade'', relatou. Segundo ele, o equipamento fiscaliza todo o trajeto e não apenas onde há radares de velocidade. Quando irregularidades eram detectadas, a Urbs aplicava multas administrativas contra as empresas, acrescentou.
No entanto, o MP apurou que nenhuma multa era aplicada. Kerin disse que só poderia se manifestar sobre esse assunto depois de tomar conhecimento do despacho da juíza, assim como Rovani. Twardowski não foi localizado. A atual presidente da Urbs, Yára Eisenbach, que tomou posse em 30 de abril deste ano, determinou que os motoristas flagrados por excesso de velocidade em radares sejam multados.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana, Orlando Bertoldi, disse que as empresas nunca precisaram pagar multas. ''Nós recebemos a multa, mas a responsabilidade é do condutor'', disse. Segundo ele, os tacógrafos controlam o trajeto, horário e quilometragem dos veículos, mas não a velocidade.

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