Ex-deputado é preso com dinheiro falso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de março de 1998
Benê Bianchi 
Josoé de Carvalho
ApreensãoO delegado da PF Roberto Morel com os equipamentos e cédulas de reais e guaranis falsos apreendidos em Apucarana; apreensão e prisão de envolvidos é desdobramento da prisão de Plínio Roberts, anteontem, em Londrina
A Polícia Federal autuou ontem em flagrante, em Apucarana, o empresário, ex-vereador e ex-deputado estadual Jorge Amin Maia Filho (PSDB) e seu funcionário Roberto Luis Puggesi. A autuação é um desdobramento da prisão feita anteontem em Londrina de Plínio Roberts, com cerca de R$ 32 mil falsos. Segundo o chefe da Delegacia da Polícia Federal, José Roberto Morel, a prisão foi o desfecho de um trabalho de cerca de 10 anos.
O Norte do Paraná tem problemas de derrame de dinheiro há anos, mas as investigações sempre foram prejudicadas porque não conseguíamos chegar às pessoas certas. Agora, as encontramos, disse Morel. No escritório de Jorge Maia Filho, localizado no edifício Palácio do Comércio, no centro de Apucarana, onde funcionaria a Paraná Banco Financeira, foram apreendidos o fotolito usado para reprodução das notas, material de tinta gráfica, uma impressora Epson, 22 documentos falsos de transferência de veículos, 20 documentos falsos de registro e licenciamento de veículos, 10 carteiras de habilitação e um carimbo falso da Ciretran de Apucarana.
Na casa de Jorge Maia Filho, no bairro 28, foram apreendidos um revólver calibre 32 e três notas falsas de R$ 100 cada uma. Segundo o tenente da Polícia Militar, Marcos José Facio, que acompanhou todo o processo de prisão, as notas eram imprimidas numa impressora gráfica HP Laser Jet 5/5, que não foi encontrada. Ela relata que Jorge Maia Filho alegou que a impressora estava no conserto.
No momento da prisão, o empresário passou mal e teve que ser levado para o Hospital da Providência, onde permanece internado sob escolta policial feita pela PM. Jorge Maia Filho já passou por duas cirurgias de coração e tem 10 pontes de safena.
Segundo o delegado Morel, as investigações continuam porque há informações de que há mais pessoas envolvidas. Ele acrescentou que há informações também de que o dinheiro falso seria derramado na Feira Agropecuária de Londrina, que será realizada de 9 a 19 de abril. Os três detidos vão responder por crimes de falsificação de dinheiro e de documentos oficiais, além de formação de quadrilha e, no caso de Jorge Maia Filho, por porte ilegal de arma. A pena prevista, em caso de condenação, é de 3 a 15 anos.
Família nega Familiares de Jorge Maia procuraram ontem a imprensa para contestar as acusações que estão sendo feitas contra ele. Os familiares afirmam que está completamente descartada a possibilidade de Maia estar envolvido com a falsificação de moeda.
Como se explica o fato dele estar usando um carro emprestado e estar atravessando uma complicada situação financeira, afirmou ontem um cunhado de Maia, que não quis ser identificado. O cunhado acredita que, provavelmente, ele está sendo envolvido por outras pessoas.
Jorge Maia pertence a uma das famílias tradicionais de Apucarana. Seu pai, Jorge Amin Maia foi o primeiro prefeito eleito do Município. Ele foi vereador, presidente da Câmara Municipal, e deputado estadual na década de 80, sendo depois derrotado em novas tentativas de chegar à Assembléia Legislativa. (Colaborou Maurício Borges)


