O Ministério Público de Campo Mourão vai propor um termo de ajustamento para que os sete últimos delegados-chefes que passaram pela 16ª Subdivisão Policial paguem a reforma do pavimento superior de um prédio anexo à delegacia. O acordo será a conclusão de um procedimento aberto pelo MP há mais de um ano para apurar a transformação do prédio, que abriga o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Identificação, em alojamento para policiais civis.
A relação dos ex-delegados que terão que ajudar na reforma inclui o atual delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, que foi responsável pela 16ª SDP em meados dos anos 80. Na segunda-feira, Ribeiro e outros ex-delegados estiveram reunidos em Campo Mourão com o promotor Inácio de Carvalho Neto. ''O MP quer a recomposição do prédio'', disse o promotor. Se não houver acordo, ele vai propor uma ação civil pública contra os delegados.
A relação dos delegados que terão que pagar a reforma foi feita com base em depoimentos dados ao Ministério Público de que a ocupação de parte do prédio por policiais civis havia começado há mais de 15 anos. O auxiliar de necrópsia do IML, Milton Scheibel, que trabalha no andar térreo do prédio, disse em depoimento ao MP que os policiais mantinham animais no local e que fizeram varais de roupas no primeiro pavimento que provocaram infiltrações no teto.
O atual delegado-chefe da 16ª SDP, Roberval Butaccini, que está no cargo desde 1997, também terá que ajudar na reforma. Ele disse ontem que considera o acordo ''justo''. Butaccini contou que policiais moravam no prédio (antiga sede do Departamento de Trânsito (Detran) até conseguirem fixar residência na cidade porque as salas estavam vazias. Ele admitiu, porém, que houve um caso de um investigador, já morto, que chegou a ficar 11 anos no local.
Além dos delegados, os policiais que moraram no prédio também terão que ajudar na reforma. Até o início do ano passado, oito pessoas estavam residindo no alojamento irregularmente, mas várias outras usaram o local antes. Hoje ninguém mais mora no prédio, que teve parte das salas ocupadas pelo Serviço de Atendimento à Mulher (SAM). Antes de assinar o termo de ajustamento, o MP quer ver o orçamento para saber os custos da reforma.

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