Ex-delegado é libertado
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domingo, 04 de dezembro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O ex-delegado titular de Foz do Iguaçu, José Roberto Jordão, deixou a prisão anteontem à noite depois de permanecer preso por 31 dias. Ele foi flagrado recebendo propina, no dia 1º de novembro, na Operação Avalanche e responde processo criminal por corrupção. A denúncia formulada pelo Ministério Público (MP) estadual aponta que Jordão participaria de uma rede de corrupção que recebia dinheiro de empresários para liberar o funcionamento de máquinas caça-níqueis e do jogo do bicho em Foz do Iguaçu. O grupo teria movimentado, segundo o MP, cerca de R$ 2 milhões em propinas desde 2004.
Jordão foi flagrado na região central, dentro de uma viatura, após ter supostamente recebido R$ 1 mil do dono de uma lotérica de Foz do Iguaçu para que não aprendesse uma máquina caça-níquel. Ele e outros acusados de participar do esquema (entre delegados, policiais civis e militares) receberiam um pagamento mensal, chamado de ''mensalinho da polícia'', para serem coniventes com o jogo ilícito. O valor variava a cada mês. O MP alega que os empresários que exploravam os jogos teriam montado uma espécie de cooperativa para subornar policiais.
O trabalho de investigação estava sendo feito há um ano. Durante as buscas, foram apreendidas mesas de pôquer em minicassinos, computadores, baralhos, fichas, alvarás de funcionamento de estabelecimentos.
Jordão assumiu a delegacia de Foz do Iguaçu em 2004, após o afastamento do então delegado Haroldo Davison, em fevereiro. Na ocasião, Davison foi obrigado a deixar o cargo após denúncias de que policiais sob seu comando estariam bebendo cerveja nos distritos da cidade. Jordão, que vai responder agora o processo em liberdade, foi procurado ontem pela Folha e não foi encontrado, nem retornou as ligações. O advogado dele, Edson Vieira Abdala, disse ontem que se baseou nos fatos do delegado ter residência fixa, ser réu primário e ter bons antecedentes para pedir o habeas corpus, tornando sem efeito a prisão preventiva.
O advogado trabalha com a tese de negativa de autoria. O dinheiro encontrado não seria fruto de propina, já que Jordão é delegado de carreira há 30 anos. ''Houve um grande equívoco. Não há nexo causal entre o dinheiro encontrado e o crime imputado ao meu cliente'', afirmou. O processo corre em segredo de Justiça.


