O ex-delegado calça-curta de Matelândia, Alexandre Ubirajara Sheiran, e o policial civil Joaquim Arciso Alves são acusados de participar de uma quadrilha que roubava carros importados em Curitiba, Londrina e Maringá. Além deles, fariam parte da quadrilha o advogado Evangelista Castanheira dos Santos, Anderson Luiz da Cruz e os paraguaios Anibal Ortiz e Félix Lopes. A polícia investiga ainda a participação de, pelos menos, outros três policiais da Região Sudoeste do Estado.
A prisão preventiva de todos os acusados foi decretada na semana passada pela Central de Inquéritos da capital. Na sexta-feira, o delegado Gérson Machado e outros quatro policiais da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos viajaram para Foz do Iguaçu, onde vivem três dos quatro acusados brasileiros, para tentar cumprir os mandados. Conforme Machado, nenhum dos suspeitos foi localizado.
O delegado disse que, no mínimo, dez carros teriam sidos roubados pela quadrilha - cinco BMW e cinco Mercedes - de 9 de janeiro a 19 de março deste ano. Por cada uma, acredita Machado, os assaltantes teriam ganho entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Ortiz e Lopes seriam os responsáveis pela compra e revenda dos carros no Paraguai. A Mercedes placas AGL 5546, roubada em fevereiro, em Curitiba, teria sido recuperada com Ortiz no Paraguai.
Segundo Machado, os assaltos seriam praticados por Santos, conhecido por ‘‘Doutorzinho’’, e Anderson Luiz, o ‘‘Andrinho’’. O assistente de segurança, designação oficial dos calças-curtas, é acusado de dar cobertura para os assaltantes até a região de Foz do Iguaçu, usando inclusive rádio HT, de uso da polícia, e giroflex. Em Foz do Iguaçu, os carros seriam entregues ao policial civil Joaquim Alves, que os levaria ao Paraguai, usando sua insígnia.
Machado disse que o ex-delegado calça-curta teria sido visto por uma testemunha dando cobertura no assalto de uma Mercedez. Sheiran foi afastado da função no final do ano, quando o governo do Estado havia extinto a figura do calça-curta.
Toda a investigação está deseada em diligências feitas pelo delegado João Ricardo Kepps de Noronha, titular do Departamento de Segurança e Informações (DSI). Noronha é presidente da Associação do Delegados de Polícia (Adepol) do Paraná e entrou com ação pedindo a inconstitucionalidade da lei estadual que recriou o assistente de segurança, no começo do ano.

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