Uma empresa de turismo que prometeu, em 1993, um bom emprego para uma candidata de Maringá foi condenada na Justiça por publicidade enganosa e agora terá de pagar indenização por danos materiais e morais à vítima. A ex-dekassegui Roseany Kelly Barbatto, 24 anos, foi obrigada a carregar caixas de 50 quilos nas costas em cidade que não constava do roteiro original, teve seu passaporte apreendido pela empresa e quando conseguiu retornar ao Brasil, em 1995, entrou com ação indenizatória na 3ª Vara Cível de Maringá. O juiz Shiroshi Yendo deu ganho de causa a Roseany.
A empresa AKM Turismo Ltda., de Maringá, através de sua proprietária Rosa Maria Akemi Kawagushi, entrou com recurso no Tribunal de Justiça do Paraná. Em 9 de novembro, a 1ª Câmara Cível do TJ, através de parecer do desembargador-relator Ulysses Lopes, negou provimento à apelação da empresa, por unanimidade de votos, o que impossibilita qualquer recurso por parte de Rosa Maria. Assim, Roseany é uma das primeiras ex-dekasseguis do País a ganhar ação na Justiça por publicidade enganosa.
Em seu despacho, o juiz de Maringá calculou a indenização em 55.275,06 cruzeiros, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros moratórios na ordem de 0,5% ao mês a partir de novembro de 1993, mais a quantia correspondente a 442.200 ienes, convertidos à moeda nacional pela câmbio de 23.08.97, corrigidos monetariamente desde essa data, mais juros de mora de 0,5% ao mês, a título de danos materiais.
A AKM foi condenada ainda a pagar mais 100 salários mínimos a título de indenização por danos morais a Roseany, corrigidos monetariamente desde 23 de agosto de 1997, mais juros de mora de 0,5% ao mês.
A empresa de razão social AKM Turismo Ltda., de propriedade de Rosa Maria, foi extinta em 1995. Em seu lugar nasceu a ‘‘New Life Turismo Ltda’’, de propriedade de Eunice Miki Inokuma, filha de Rosa Maria. Hoje AKM é o nome de fantasia da empresa e mudou de endereço: da Avenida Tiradentes foi transferida para a Avenida São Paulo, centro da cidade.
Rosa Maria e Eunice viajaram para o Japão em março e até hoje não retornaram ao Brasil. Sua filha Eunice está junto com a mãe, segundo informações do funcionário da AKM, Cláudio Venério. ‘‘Não sei em qual cidade do Japão que elas estão’’, disse ele. Cláudio disse que o principal trabalho da empresa, até hoje, é levar pessoas para trabalhar no Japão.

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