Ex-coordenadora de centro dentário é afastada da diretoria
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Lúcio Horta 
O Grupo de Estudos para o Tratamento do Excepcional de Londrina (Getexcel) decidiu ontem, em assembléia extraordinária, afastar a dentista Sebastiana Aquino de Oliveira Arruda da diretoria da entidade. O grupo é o único na cidade que presta atendimento odontológico gratuito aos pacientes excepcionais e, desde junho, uma disputa interna é travada entre a ex-coordenadora Sebastiana Arruda e outros seis diretores.
A assembléia foi convocada através de edital e teve participação de todos os membros; a única ausência foi da própria Sebastiana Arruda. A gente demorou muito para tomar essa atitude mas agora foi inevitável, afirmou a atual presidente da entidade, Lygia Madi Kranz.
Segundo ela, o grupo tentou resolver o impasse internamente - através do Conselho Regional de Odontologia -, mas a ex-coordenadora teria sempre se negado a negociar e preferiu deixar pública a situação.
O advogado Gilberto Baumann de Lima, que defende a diretoria da Getexcel, afirma até agora já foram enviadas duas representações contra Sebastiana Arruda ao Conselho de Odontologia. Uma delas por não obedecer procedimentos técnicos adequados durante as consultas - como por exemplo o uso de luvas cirúrgicas - e o outro por ter ofendido publicamente a entidade. Ela coloca em situação delicada a imagem da instituição, em prejuízo dos pacientes e dos próprios dentistas.
Esta semana está sendo encaminhada mais uma representação ao Conselho, desta vez por ela ter declarado, também publicamente, que são os dentistas do Getexcel estão lançando mão de procedimentos não-adequados no atendimento aos excepcionais.
Além das representações, segundo o advogado, também foi encaminhado uma representação criminal contra Sebastiana Arruda por ela ter se utilizado indevidamente do CGC do Getexcel para criação de uma nova instituição, onde ela seria única responsável.
Segundo Lygia Madi Kranz, o Getexcel atende hoje 54 prefeituras, sendo que 23 delas têm convênio firmados e apenas seis repassam verbas - de até um salário mínimo - para manter a instituição. A entidade também recebe verba do Sistema Único de Saúde, que é transformada em ajuda de custo aos diretores.
Em contato feito por telefone, a dentista Sebastiana Arruda disse que prefere esperar a decisão da Autarquia Municipal da Saúde do município para depois se manifestar sobre as acusações. A Autarquia aguardava, até esta semana, relatório da Comissão da Câmara Municipal que investigava as denúncias de irregularidades. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público faz investigação paralela. As autoridades vão dizer se existe alguma culpa minha nesse processo, afirmou a dentista.
O presidente da Autarquia Municipal da Saúde, Sílvio Fernandes, afirmou que deve se reunir ainda esta semana com os advogados da Autarquia e analisar quem tem razão nessa polêmica. Segundo ele, o município pretende acabar com o impasse e resolver a questão da maneira mais correta possível. O objetivo é salvaguardar o interesse dos usuários. A situação já está prejudicando o atendimento normal dos pacientes.


