O ex-comerciante chinês de Ciudad del Este, Z.K., de 29 anos, natural de Hong Kong, ficou tetraplégico e inválido após receber várias rajadas de uma pistola 765 automática disparada por ‘‘soldados’’ da máfia chinesa. Z. acredita que a sua morte pode ter sido encomendada por importadores protegidos pela máfia ou foi apenas um aviso ao seu ex-patrão, um comerciante com muitas dívidas com a organização.
Z. era dono de uma loja, mas fechou as portas há três anos por causa da falência. Em seguida, foi trabalhar como vendedor na loja de um amigo. Como Z., o patrão faliu e ele acabou sendo demitido. Mesmo endividado, o comerciante continuou ajudando-o com um salário mensal.
Na noite de 13 de abril deste ano, quando andava a pé pelo centro de Foz, Z. foi abordado por um carro com placas do Paraguai. Quatro chineses, que ocupavam o veículo, dispararam 12 tiros, dos quais sete o atingiram.
O ex-comerciante ficou 15 dias em coma na UTI da Santa casa Monsenhor Guilherme, em Foz. Quando melhorou, Z. foi informado que um dos tiros atingiu sua coluna cervical e que ficaria tetraplégico. Com o marido impossibilitado de trabalhar, a mulher de Z. tornou-se prostituta e faz programas nas ruas de Foz.
Sequestro A máfia deixou sequelas irreparáveis na família do ex-comerciante de Ciudad del Este, L.T.C., de 37 anos. Ele migrou da China para a fronteira no início dos anos 90 para abrir uma grande loja. Como todas as vítimas dos mafiosos, L., sua mulher R.A., de 26 anos, e o único filho, A.C., de 7 anos, se negam a aparecer. L., que nasceu em Xangai, ficou escondido por três meses em São Paulo por causa de ameaças. Atualmente, o ex-comerciante vive refugiado na casa de amigos em Ciudad del Este. R. é obrigada a viver em Foz separada do marido. L. teme que o seu destino seja o mesmo de outros chineses que foram assassinados pela organização.
A mulher de L., uma brasileira de Mato Grosso do Sul, conta que em 96 a família começou a ser perseguida pelos ‘‘soldados’’ da máfia, que exigiam US$ 30 mil. A família, porém, não sabe se a exigência era uma antiga dívida que o marido tinha com importadores aliados à máfia ou se se tratava de extorsão. Sem dinheiro para saldar a dívida com a máfia, o filho do casal foi sequestrado quando voltava da escola. Três dias depois e várias ameaças, foi libertado.

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