Ex-comandante depõe sobre caso das jaquetas
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quinta-feira, 07 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
Um ano após a descoberta do escândalo da importação de jaquetas chinesas para os policiais militares no Paraná, a Justiça Militar decidiu entrar no caso para investigar o grau de envolvimento do coronel reformado Luiz Fernando de Lara, que na época ocupava o cargo de comandante geral da Polícia Militar. Lara prestará depimento nesta segunda-feira a partir das 9h30 perante o juiz militar. Até então o caso estava restrito à Justiça Comum.
Lara e o empresário Georges Pantazis foram apontados pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) como mentores de um esquema que teria resultado num gasto sem licitação de R$ 350 mil dos cofres da Associação da Vila Militar para a compra das jaquetas. As investigações da promotoria levaram a indícios de que Lara emprestou o dinheiro da AVM para Pantazis e de que não havia intenção de comprar as jaquetas. Os promotores denunciaram os dois pelos crimes de peculato, improbidade administrativa e superfaturamento.
Depois que o caso foi descoberto, Lara garantiu que a mercadoria iria chegar no Brasil, como de fato aconteceu. O lote de 1,7 mil jaquetas entrou no País pelo Porto de Paranaguá. A carga está guardada em um depósito na Região Metropolitana de Curitiba, aguardando desfecho do caso. A Folha tentou falar ontem com o coronel Luis Fernando de Lara, mas não conseguiu localizá-lo na cidade.
Se for condenado pela Justiça Militar, Lara poderá perder os direitos que adquiriu como comandante geral reformado. Se ainda estivesse na ativa ele estaria ameaçado de ser exonerado.
Na Justiça Comum, o caso das jaquetas chinesas foi apreciado, nesta semana, pelo Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça. Os desembargadores mantiveram a quebra do sigilo bancário de George Pantazis, que havia sido dada em primeira instância. A Justiça já determinou o sequestro dos bens de Lara e Pantazis no valor de R$ 350 mil.


