Ex-brasiguaios visitam terras no Pará
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Representantes das 25 famílias sem terra de ex-brasiguaios acampadas desde o início da semana na sede do Incra em Cascavel viajaram ontem para o sul do Pará, para conhecer terras que o órgão lhes ofereceu para assentamento. O Incra está valorizando o interesse das famílias naquelas terras porque poderá dar início a um amplo processo de transferência de sem-terra do Paraná e demais Estados do sul do País, aliviando a pressão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por assentamento no próprio Estado.
A importância que o Incra está dando à transferência é tão grande que, segundo a Folha apurou, estava sendo estudada a possibilidade de um avião de uso do ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, sair de Brasília para vir a Cascavel pegar os representantes das famílias para levá-los ao Pará. O ministro, no entanto, precisou utilizar o avião ontem e, por isso, os ex-brasiguaios Genair Simplício, Mário Martins Batista e Gerônimo Paula de Campos viajaram de ônibus, com passagens pagas pelo Incra.
Valdir Dorini, chefe da Unidade Avançada do Incra em Cascavel, observa que, confirmada a transferência, estas famílias serão as primeiras a ser transferidas para o norte do País. Segundo Dorini, o Incra tem grandes extensões de terras disponíveis para assentamento no Pará. As áreas ofertadas aos ex-brasiguaios ficam no município de Santa Maria das Barreiras, onde já há um assentamento de agricultores do próprio estado. A estrutura está pronta e a terra é de qualidade, assegura Dorini.
O grupo ex-brasiguais passou um curto período no acampamento da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (43 km a nordeste de Foz do Iguaçu), depois de voltar do Paraguai, e deixou a área após desentendimentos com os coordenadores do MST por problemas internos. Além disso, a disposição das famílias de ir para o sul do Pará distoa da posição do MST, que insiste em assentamentos no próprio Estado.
Márcio Reisner, coordenador do MST no acampamento montado às margens da BR-277, nas proximidades de Ibema (53 km a leste de Cascavel), para onde foram muitas famílias que estavam na Mitacoré, afirma que no Pará falta estrutura e as condições de sobrevivência são muito difíceis. Os representantes das 25 famílias não conhecem a região do Pará que visitarão, mas antecipadamente afirmam que as aceitarão. Por isso, a viagem apenas ratificará a decisão.
Genair Simplício, 37 anos, oito filhos, que permaneceu 20 anos no Paraguai como arrendatário, diz que as famílias não querem ficar invadindo fazenda como quer o MST e não estão dispostas a ficar na lona preta esperando terra. Simplício também acredita que o Incra ofereça as mesmas condições em qualquer lugar para dar apoio depois do assentamento. O sem-terra relata que além das 25 famílias acampadas no Incra outras 150 já teriam manifestado o desejo de ir para o Pará.


