Ex-assessores depõem e acusam Cativa de tentativa de suborno
Ex-assessores depõem e acusam
Cativa de tentativa de suborno
Fredemax Mota e Aristeu Rodrigues teriam sido procurados por Osmar Buzinhani para omitirem laudo desfavorável
Osmani Costa
Dois dos três ex-assessores de vereadores que depuseram, ontem à tarde, na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina acusaram o presidente da Cativa, Osmar Buzinhani, de ter tentato suborná-los para evitar a divulgação do laudo da análise da qualidade do leite produzida pela cooperativa. Na semana passada, Buzinhani havia denunciado na Câmara que os três então assessores - José Rojas Gavilan, Aristeu Neves Rodrigues e Fredemax Mota - haviam tentado extorqui-lo em R$ 80.000,00 para que os laudos do leite da Cativa e do leite Marcial (da Central Norte, de Apucarana) não fossem divulgados.
A CEI, que é presidida por Antenor Ribeiro (PPB), foi criada pela Câmara para investigar o envolvimento dos assessores e de vereadores com o que passou a ser chamado como escândalo do leite. Os depoimentos de ontem começaram às 14 horas e só terminaram às 18h30. Neles, Aristeu Rodrigues, que é funcionário da prefeitura e era assessor do vereador Alvair de Souza (PL), e Fredemax Mota, que era assessor particular do ex-vereador Jacy Aguiar (PDT), entregaram declaração registrada em cartório isentando de responsabilidade e de envolvimento com o caso o produtor rural José Rojas Gavilan, que até a semana passada era assessor parlamentar do vereador Beto Scaff (PSDB).
Segundo Rodrigues e Mota, a tentativa de suborno feita por Osmar Buzinhani ocorreu na sala de reuniões da Câmara, na presença do gerente comercial da Cativa, Alfredo Carvalho. Os dois representantes da cooperativa de produtores de leite vieram à Câmara de surpresa, depois de vários contatos telefônicos. O Buzinhani perguntou sobre a possibilidade de um acerto financeiro para que o resultado da análise do leite não fosse divulgada, acusa Fredemax Mota, que diz preferir não divulgar a quantia de dinheiro oferecida pelo suborno.
Eu e o Aristeu - que é amigo pessoal do Buzinhani e havia feito o primeiro contato - explicamos ao presidente da Cativa que este tipo de acerto era impossível, porque o resultado da análise já estava na Presidência da Câmara, iria ser repassada à Promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor, e deveria ser divulgado pela imprensa em breve, conta Fredemax Mota. Mas o presidente da Cativa, talvez desesperado com o resultado negativo da análise da qualidade do seu produto, continuou insistindo na tentativa de suborno. Como isto não foi possível, procurou a Presidência da Câmara e nos acusou da descabida tentativa de extorsão.
De acordo com Mota, foi na Presidência da Câmara que ele conseguiu uma cópia do resultado da análise do leite, realizada em março pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, a pedido do ex-vereador Jacy Aguiar (que era suplente e exerceu o mandato até o final de março). Além do leite Cativa e do Marcial, outras seis marcas comercializadas na Cidade foram objeto das análises. As amostras foram coletadas, em diferentes supermercados londrinenses, no dia 17 de março, sob a supervisão do promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti.
De acordo com a cópia do resultado da análise - divulgada ontem por Fredemax Mota - o leite da Cativa apresenta elevado número de bactérias e de coliformes fecais. Este laudo é verdadeiro, é o mesmo que está em poder da Presidência da Câmara e da CEI que investiga o caso. O leite, naquele dia da análise, era ruim e tinha condições insatisfatórias para o consumo. Com o objetivo de encobrir este fato real, o presidente da Cativa, desesperado, tentou nos subornar, afirma Mota.
A CEI volta a se reunir na tarde de amanhã, quando pretende tomar depoimentos de Buzinhani, Alfredo Carvalho, do gerente comercial da Central Norte, Nelson Estivan, e da advogada Shyrleni Massai, também da cooperativa de Apucarana. O caso também está sendo investigado por inquérito aberto no 4º Distrito Policial, sob a presidência do delegado Joaquim Antonio de Melo. Ele pretende ouvir, hoje ou amanhã, o presidente da Cativa.





