Ex-aluno estuda com ex-professor
A grande parte dos alunos da Guarda Mirim é considerada em situação de risco, e os cursos e oficinas muitas vezes são a oportunidade de que eles precisavam para tentar mudar a própria realidade. É o caso de Adão Wesley dos Santos, 19 anos, que entrou para a Guarda Mirim aos 14. O jovem fez cursos de computação, datilografia para computador, auxiliar administrativo e ainda praticava esportes. ''Se não tivesse ido para lá, não tenho como imaginar como seria a minha vida. Talvez não estivesse aqui hoje'', reconhece.
Hoje, ele trabalha na fábrica de embalagens Dixie Toga, como auxiliar administrativo. Como a grande maioria dos estudantes da instituição que conseguem emprego, Adão ingressou como integrante do programa Menor Aprendiz, mas foi efetivado dois anos depois. O jovem ainda cursa o terceiro ano de Ciências da Informação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, e, coincidentemente, tem como colega de classe um ex-professor seu da época da Guarda Mirim. Graças ao seu bom desempenho no Enem, Adão conseguiu a vaga por meio do ProUni, e sequer precisou fazer cursinho.
Ele diz sentir saudades do tempo em que passou na Guarda, e principalmente das amizades que fez. ''Lá é muito bom, a infra-estrutura é ótima, e o jovem não fica na rua, lugar onde se faz qualquer coisa menos estudar'', elogia, acrescentando que muitos de seus colegas da época hoje também estão trabalhando, inclusive alguns que inicialmente tinham algum envolvimento com drogas e criminalidade. ''Pessoas de realidades diferentes conviviam umas com as outras, e você podia aprender com eles assim como eles também podiam aprender com você. A decisão é de cada um. Muitos começaram a trabalhar, mas outros foram traficar. Esses não vi mais, talvez nem estejam mais vivos.''
Os pais de Adão morreram há vários anos, e ele mora com a avó na Vila Marízia. Ela acredita que um dos fatores que faz a diferença entre as opções de vida feitas pelos jovens é justamente a família. ''Minha avó sempre me incentivou a estudar, que era o caminho mais difícil, mas mais garantido'', revela. O jovem conta que nunca lhe faltou nada em casa, apesar da infância humilde, e comemora o fato de agora poder ajudar a avó e comprar coisas antes inimagináveis, como um computador. Hoje, ele sonha inclusive com uma casa própria. ''Eu tinha que escolher alguma forma de conseguir, e escolhi os estudos e o trabalho, por mais difícil que seja.'' (A.I.)





