A família da estudante Tatiana Mortari de Andrade, de 16 anos, está revoltada com uma mudança no critério de aprovação de alunos que no ano passado ficaram em regime de dependência, no Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL).
Segundo a família, Tatiana reprovou na 1ª série do ensino médio e trocou a escola pública por um colégio particular. Mas, recentemente – em abril –, numa tentativa de diminuir o número de dependentes, o IEEL baixou a nota mínima para aprovação e Tatiana passou a ser considerada aprovada.
O problema é que a estudante já perdeu três meses de estudos no estabelecimento e, na escola particular, onde não prevalece a dependência, ela reiniciou o curso a partir da 1ª série.
Segundo a supervisora pedagógica do IEEL, Neusa Cocchieri, 265 alunos do turno matutino do 1º e 2º anos do ensino médio e 2º e 3º anos de educação geral ficaram em dependência em diversas disciplinas. No caso de Tatiana, as dependências foram em física e química.
‘‘A escola não teria condições de manter essa quantidade de alunos em dependência, por falta de espaço e de recursos humanos. Por isso, o Núcleo Regional de Educação (NRE) propôs que tomássemos medidas para enxugar esse número’’, explicou.
O critério para reduzir o número de alunos em dependência, adotado pela escola, foi diminuir a média da nota final de 5,0 para 4,0.
Assim, os alunos que tinham nota maior que 4,0 ficaram livres da dependência e foi feita uma nova avaliação pelo Conselho de Classe, também com 4,0 como nota mínima. Agora, apenas 60 alunos fazem dependência.
A mãe da estudante, Silvana Maria Mortari, de 37 anos, confirmou que só no final de abril a família foi avisada que Tatiana estava aprovada sem dependências e que poderia cursar o 2º ano.
‘‘Só que ela já perdeu todo o conteúdo do primeiro bimestre e na escola em que está não há vaga para a 2ª série’’, lamentou. Segundo a mãe, a família pensa em acionar a Justiça.
A supervisora do IEEL Neusa Cocchieri lamentou o ‘‘desencontro’’ e informou que a ex-aluna pode se matricular novamente na escola, se quiser.
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Maria Genoveva Belucci, disse que não tem conhecimento do caso, mas que nenhum aluno pode ser prejudicado por mudanças de critérios adotados pela escola.
‘‘Os responsáveis pela aluna teriam que vir ao núcleo para que pudéssemos ouvir o que têm a dizer e orientar na melhor maneira de resolver o impasse’’, explicou.
Mas Maria Genoveva Belucci disse ainda que a mudança pode ser considerada legal, se estiver prevista no estatuto do estabelecimento de ensino.

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