O cacique da Reserva Indígena Apucaraninha, localizada em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), o caingangue Juscelino Vergílio, 33 anos, está participando do seminário que trata do alcoolismo entre os povos indígenas. Ele acha importante a discussão sobre o assunto e sabe como é difícil lidar com o problema. Ex-alcoólatra, hoje ele diz se sentir aliviado por não depender mais da bebida.
O cacique contou que começou a beber cachaça quando tinha 14 anos. ‘‘Tomei a primeira vez e gostei’’. Ele lembrou que, quando estava embriagado, ficava ‘‘se estranhando’’ com a família e com os amigos. Ele quase sofreu um acidente. ‘‘Eu estava brincando em cima de um trator e quase cai. Sorte que alguém me segurou’’.
Vergílio disse que após passar o efeito da bebida se sentia fraco, tinha problemas no estômago. ‘‘Sem contar a ressaca’’. Ele disse que se livrou da bebida aos 22 anos, um ano antes de se casar. ‘‘Hoje eu estou bem, tenho a minha mulher, filhos e não quero mais saber da bebida.’’
Na reserva de Apucaraninha, onde moram cerca de mil índios, existem alguns alcoólatras, segundo Juscelino. ‘‘A gente quer ajudar, orientando os índios a não beber, mas é difícil convencer’’, confessou. Ele acredita que com o apoio dos homens brancos esse trabalho de convencimento possa ser realizado mais facilmente.
O pai de Juscelino, Antonio Vergílio, também foi cacique na reserva nos anos 60. ‘‘Naquela época, o problema com álcool era grande. Ele tinha que levar os índios para a nossa cadeia para eles não ficarem batendo nos outros’’, relatou o cacique. (L.O.)

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