Curitiba O ex-agente penitenciário Emerson Carlos da Silva Soack, pode ter sido vítima de vingança. Soack foi assassinado na madrugada de anteontem com seis tiros na cabeça numa pizzaria onde trabalhava como garçom, na Vila Antonieta, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. De acordo com o delegado Gerson Machado, que investiga a morte, Soack trabalhava como agente de reclusão na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), também na região metropolitana.
Há quatro meses, ele deixou o cargo acusado de furto de algemas. ''O agente de reclusão geralmente é mais severo no exercício da função. Trabalhamos com a hipótese de represália por parte de algum grupo de presos ou ex-internos'', afirmou Machado.
No domingo, Soack trabalhava normalmente e atendia cerca de 40 clientes da pizzaria, quando dois homens armados pararam em frente ao estabelecimento e gritaram para que os clientes se abaixassem. ''Eles dispararam vários tiros'', disse o delegado.
De acordo com o delegado, os garçons e o proprietário da pizzaria devem depor esta semana. A polícia ainda aguarda os depoimentos dos familiares do ex-agente.
O vice-presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná, Valério Staback, disse ontem que acredita que um ex-interno tenha executado Soack. Ele lamentou que o crime tenha acontecido e disse que teme pela segurança dos servidores públicos. ''Essa morte teve conotação de represália. Os agentes não têm segurança dentro do sistema penitenciário. Temos que mudar isso'', reclamou.
O sindicato deve promover nos próximos dias uma reunião com representantes da Secretaria de Estado da Justiça para discutir o assunto. Os agentes vão pedir mais segurança e estabilidade em todo o Paraná. Stoback lamentou ainda a desistência do governo do Estado de promover concurso público para médicos e psicólogos do Sistema Penitenciário. De acordo com ele, existe a necessidade de atendimento dos presos.
Atualmente, o déficit seria de 40 vagas para psicólogos e 23 para médicos. ''Cortar esse concurso é uma visão equivocada do governo do Estado'', argumentou.
O governador Roberto Requião (PMDB) anunciou ontem que o concurso para agentes penitenciários seria realizado normalmente. No entanto, as funções de médico e psicólogos não seriam preenchidas.

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