Evitar reprovação exige cuidados
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Érika Gonçalves <br>Reportagem Local 
O final do ano letivo já se aproxima e muitos pais começam a se dar conta de que o filho pode não conseguir ser aprovado para a série seguinte. O que fazer? Caso a reprovação se confirme, qual a melhor atitude a ser tomada?
A pedagoga Luci Mara Conceição, da Escola Estadual Tiradentes, em Londrina, garante que ainda dá tempo de salvar o ano letivo, embora falte apenas um bimestre. ''A reprovação não acontece de uma hora para outra, é um processo que vem decorrendo'', atesta. Segundo ela, um trabalho mais focado pode ajudar o aluno a superar as dificuldades e ser aprovado.
Para ela, o fundamental é que haja o compromisso tanto da escola quanto da família em auxiliar a criança ou adolescente. ''A reprovação não acontece no final do ano, em algum momento o aluno se perdeu. Será que houve acompanhamento? Pode acontecer de a criança chegar em casa e dizer que foi mal na prova. A família ouve e tudo bem? Esse é um alerta. Culpar a criança é muito fácil. Não é o aluno, é todo um conjunto de coisas'', destaca Luci.
Muitos pais recorrem aos professores particulares, o que, segundo a pedagoga, é uma boa alternativa, desde que seja para necessidades pontuais e que a criança não transforme esse professor em uma espécie de muleta. ''O professor particular vale a pena quando o aluno não entende o que a professora explica, uma, duas, três vezes. Ele vai trabalhar o conteúdo de outra forma.''
Ela acrescenta que mesmo as escolas públicas já oferecem aulas de apoio no contraturno, mas lembra da importância dos pais mandarem os filhos para essas aulas. ''Muitos pais não se preocupam com isso, dizem que a criança tem outras atividades. O principal é a escola e o resto é complemento da educação da criança'', destaca.
Reprovação
Depois que houve a reprovação, segundo Luci Mara, não adianta simplesmente dar um castigo. ''Se o pai coloca de castigo, ele vai estar legitimando um fracasso do filho. Eu, pessoalmente, considero que o pai que castiga a criança está se eximindo da culpa e atribuindo toda ela ao filho'', pontua, lembrando da responsabilidade que a família tem de acompanhar o desenvolvimento escolar.
''A família não assume a responsabilidade e depois a culpa é da escola, ou do filho, que é castigado. O ideal é não haver a reprovação. Acontecendo, vamos dialogar, ver qual foi o ponto-chave, quando se deu essa reprovação'', explica.
A pedagoga lembra que se a criança apenas recebe um castigo, ela se sente punida e liberada. ''Ele assume a culpa, paga e fica bem, mas não educa. Sentar e discutir o problema é o ideal. Se a aprendizagem não aconteceu, é porque aconteceu alguma coisa e às vezes é porque o aluno perdeu o interesse em aprender'', conta. A reprovação, lembra a pedagoga, nem sempre significa que a criança tenha algum problema de aprendizagem.
Luci Mara explica que essas dificuldades são detectadas geralmente no primeiro ano escolar, pelos professores, que percebem se o aluno não presta atenção, se é muito lento, se se distrai facilmente, se é desligado, se não para no lugar ou não consegue terminar as atividades.
Para a pedagoga, prevenir a reprovação é um trabalho que começa já no primeiro bimestre, quando a escola envia o primeiro boletim. Ela ressalta a importância de os pais comparecerem às reuniões da escola, para acompanharem o desenvolvimento do filho. ''O aluno precisa dos pais presentes e muitas vezes não conta com isso. A escola não tem o valor que ela precisa ter. O pai que não acompanha a criança na escola não dá o valor social que a escola tem e passa isso para o filho'', alerta.
Depois que o aluno reprovou, Luci explica que é necesário a escola se preparar para recebê-lo no próximo ano, fazendo um acompanhamento pedagógico de perto. ''O professor deve retomar aquilo que foi o motivo da reprovação e não começar com todo o conteúdo novamente'', recomenda.


