Eventos no Sesi fomentam debate sobre arte urbana
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segunda-feira, 13 de abril de 2015
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Londrina - Com uma oficina de arte urbana ministrada pelo artista plástico Rafa PS, foi encerrada no último sábado a primeira edição da Semana Sesi de Arte Urbana em Londrina. O evento, realizado no Centro Cultural Sesi/AML, na Praça Primeiro de Maio (Centro), havia começado na quarta-feira e teve quatro atividades: exposição de obras de quatro artistas urbanos, um debate e uma exibição de filmes sobre o assunto e a oficina de sábado. A organização estima que aproximadamente 300 pessoas participaram dos eventos.
Para Paula Sandreschi Santos, gestora do centro cultural, e Lua Specian, curadora da semana, o evento refletiu a efervescência do debate sobre o reconhecimento da arte urbana (que abrange grafite, lambe-lambe, painéis, stickers e outras manifestações) pela sociedade e sua relação com o poder público. No debate, realizado na noite de quinta-feira, representantes dessa produção artística e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) discutiram essa realidade em Londrina.
"O debate foi muito importante porque a gente entendeu que a CMTU não está preparada para entender a diferença entre vandalismo e arte urbana e fazer essa fiscalização", disse Lua. "Começamos conversas para que a Secretaria Municipal de Cultura assuma esse papel."
Recentemente, duas polêmicas envolvendo grafites do artista Carão apimentaram esse debate em Londrina. A CMTU notificou um estacionamento no centro para que apagasse do seu muro um grafite com imagens do piloto Ayrton Senna, sob a alegação de que a obra remeteria "ao ramo de atividade do estabelecimento", o que seria uma infração da Lei Cidade Limpa. Após muita discussão, a obra foi mantida.
A outra polêmica ocorreu quando a Prefeitura cobriu um grafite de Carão em um muro do Bosque Central, com o tema violência contra a mulher. A administração municipal alegou na época que a pintura do muro estava programada dentro do projeto de revitalização do Bosque e que o grafite estava deteriorado. Opiniões sobre o assunto tomaram seções de comentários de sites de notícias locais e as redes sociais.
Lua Specian acredita que essa reação, assim como ocorreu em outras cidades (como quando um grande painel foi apagado na Avenida 23 de Maio, em São Paulo, em 2008), indica que a sociedade e o poder público estão começando a se relacionar melhor com a arte urbana. "Talvez não estejam entendendo, mas aceitando", apontou. O reconhecimento também pode ser sentido pela realização de eventos voltados ao tema. "O Sesi foi o primeiro lugar de Londrina a abrir espaço para a arte urbana. Agora o Museu de Arte está abrindo uma exposição", relatou a curadora. "Para nós, é muito positivo que o Sesi se coloque como um espaço para esses artistas", afirmou Paula Santos.
Mais pessoas estão se interessando em fazer arte urbana. Ivan Teodoro, de 22 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, participou da oficina no sábado. Ele contou que começou a grafitar há dois anos e que pretende fazer carreira em algo relacionado ao tema. "Eu sempre desenhei, sou skatista, da cultura hip hop, e me apaixonei pelo grafite à primeira vista", justificou.


