Evento traz mil alunos de Enfermagem
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Osmani Costa Londrina 
A Enfermagem resgatando a cidadania através da formação acadêmica. Esse é o tema central do 20º Encontro Nacional dos Estudantes de Enfermagem (Eneen), que está acontecendo no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde anteontem e prossegue até o próximo sábado, com a participação de cerca de mil alunos vindos de 45 faculdades de todo o País.
Será uma semana de intensa programação, entre palestras, debates, mesas-redondas, conferências e o desenvolvimento de trabalhos em grupos; sempre das 8 às 18 horas, nos anfiteatros e salas de aulas do Centro de Ciências Biológicas (CCB). É uma promoção conjunta dos centro acadêmicos de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e UEL, com apoio das duas universidades.
Hoje pela manhã, a mesa-redonda reúne professores da Universidade de Brasília (UnB), da UEL e da Universidade de Enfermagem de São Paulo para discutir A ética profissional e as diferentes posições frente à bioética. À tarde, o debate será sobre Política de saúde no neoliberalismo. Onde ficam os direitos do cidadão?, com a presença de professores da Universidade de São Paulo (USP), UEL e UEM.
Ontem à tarde, com o anfiteatro maior do CCB lotado, foi discutida a reforma curricular do curso de Enfermagem nas mais de 100 faculdades espalhadas pelo Brasil. Também falou-se sobre a participação dos estudantes nos movimentos sociais. Este último debate foi coordenado pela professora-doutora da USP Maria Rita Bertolozzi.
Segundo ela, os estudantes não devem se fechar nas salas de aulas e atrás dos portões das faculdades, mas sim participar ativamente dos movimentos sociais e contribuir para que o País e população saiam da crise pela qual têm passado nas últimas décadas. Apesar das riquezas naturais, da estabilidade e da força econômica do Brasil, grande parte de nossa população sofre com uma das maiores desigualdades sociais existentes no mundo, comenta a professora da USP. Sair desta situação é um desafio que precisa ser vencido, e os alunos de Enfermagem têm que atuar nesta ação.
Na opinião de Maria Rita Bertolozzi, os futuros enfermeiros e enfermeiras devem atuar, desde agora, como sujeitos sociais engajados na luta pela melhoria da qualidade de vida da população, sobretudo a mais carente. Nossa vida profissional está intimamente ligada à questão da cidadania, e nós devemos ter um compromisso com a solução dos problemas sociais e nacionais, afirma ela.
De acordo com a professora da USP, no entanto, uma parte dos cursos de Enfermagem, dos professores e dos estudantes tem estado apática, conformada com a qualidade da formação profissional, às vezes não tão boa, e com a situação do País, que é bastante ruim. Maria Rita Bertolozzi ressalta: Além de aprender técnicas para a profissão, temos que encontrar nas escolas as bases para uma atuação na realidade social, que tanto necessita de nosso apoio.


