Mais de 140 alunos de escolas públicas do Paraná estão reunidos este fim de semana em Londrina para participar do I Encontro Regional de Bolsistas das Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Promovido pelo Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o evento conta com bolsistas do Norte, Oeste e Noroeste paranaense, que participarão de minicursos e palestras.
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, a professora da Universidade Federal Fluminense Suely Druck faz parte da equipe que colocou o projeto Obmep, do governo federal, em prática há três anos. Conforme ela, a última olimpíada reuniu 17,2 milhões de alunos dos quase 5 mil municípios brasileiros. Duas mil bolsas de estudo, no valor de R$ 100 mensais, foram distribuídas aos estudantes que participam de estágios em universidades e instituições de pesquisa em todo o Brasil. Para 2008, a União liberou mais mil bolsas e a meta para 2010 é oferecer 10 mil bolsas de estudo.
Conforme Suely, a necessidade de melhorar a qualidade de ensino e a certeza de que existem talentos brasileiros que precisam ser identificados e orientados levou à criação do projeto.
No ano passado, 1 milhão de paranaenses foram inscritos nas olimpíadas, que contemplam alunos de quinta a oitava séries do ensino fundamental e do ensino médio em duas fases - uma prova em agosto e outra em dezembro, para os 5% melhores colocados. Do total, 78 estudantes da zona que abrange Foz do Iguaçu a Joaquim Távora e outros 110 de Curitiba e região obtiveram bolsas de iniciação científica. Entre eles, Leonardo Gonçalves de Oliveira e Leonardo Oliveira Caetano, ambos com 14 anos, e Vinícius Rodrigues de Almeida, 16, que participam de 16 horas mensais de estágio na UEL.
Leonardo Oliveira foi medalha de ouro nas olimpíadas de 2005 e definiu o estágio como ''uma experiência nova para a vida toda''. Para ele, que participou das três edições das Obmep, a prova tem ficado cada vez mais difícil. ''Mas dá para levar porque a gente adquire mais conhecimento com o estágio'', disse o estudante de Santo Antônio da Platina que quer seguir carreira na área de exatas. ''Alguns colegas de classe acham que sou louco, outros sabem que é importante estudar'', completou.
Ouro em 2007, bronze em 2005, Vinícius viaja dois sábados por mês de Joaquim Távora para Londrina para aprender mais sobre matemática. ''As novas amizades me estimulam a fazer o estágio'', confessou o estudante que prestará vestibular este ano para engenharia mecânica.
Na cola dos amigos, Leonardo Caetano já sabe o que irá cursar quando terminar o ensino médio daqui a três anos. ''Medicina'', respondeu o londrinense, que tem na matemática uma de suas paixões. ''Tenho facilidade com números desde pequeno'', contou Leonardo, que foi medalha de bronze nas olimpíadas de 2007.

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