Curitiba - Paraná é o sexto estado a sediar um seminário com a intenção de resgatar as lutas no campo por meio de relatos dos atores destes eventos sociais. O primeiro aconteceu no Rio de Janeiro, em 2004, e depois em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. ''Existia uma certa demanda por conhecer estas histórias de luta. Não tivemos apoio especial, fizemos os seminários junto as universidades federais e sindicatos'', disse Moacir Palmeira, professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
''Existe uma lacuna na história oficial brasileira sobre as mobilizações sociais no campo. Os camponeses inexistiam socialmente e sofriam repressão de fazendeiros e usineiros'', observa Palmeira. ''Uma das motivações para iniciar o projeto foram as discussões sobre os 40 anos do Golpe Militar, em 2004, que não tratavam da luta dos camponeses, quando a suposta desordem no meio rural foi um dos pretextos mais usados pelo governo para acionar o militarismo'', criticou.
Palmeira lembrou que a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) não regularizou a categoria. ''A Contag foi a única confederação que discordou abertamente da Ditadura, por isso a repressão brutal, porque reivindicava a existência dos camponeses no corpo da sociedade. Os militares se sentiram obrigados a promulgar o Estatuto da Terra, em 1964, visto como avançado em termos mundiais, para a época'', afirmou ele, acrescentando que após o estatuto, as lutas ganharam um novo enquadramento legal.
Em todos os estados que foram promovidos os seminários a proposta é que os eventos resultem em DVDs brutos que serão confiados a centros de documentação e disponiblizados para pesquisadores e estudantes. O material editado será repassado para entidades e escolas interessadas. ''Essa memória viva está desaparecendo e existe muito para ser contado. O seminário permitiu um registro sociológico rico contado por quem protagonizou essa história'', reforçou o professor Osvaldo Heller. (F.G.)

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