Ministério da Saúde, Prefeitura de Londrina e Grupo Homossexual Londrinense (GHL) estão promovendo, ontem e hoje, oficinas com orientação sobre os riscos da Aids e as formas de contaminação. As oficinas fazem parte do Dia Mundial de Solidariedade às Vítimas de Aids, comemorado em 1º de dezembro, e estão sendo coordenadas por Francisco Carlos dos Santos - do grupo ‘‘Dignidade’’ de Curitiba.
Ontem à tarde, cerca de 30 homossexuais com comportamento de risco e convidados se reuniram no centro de referência Bruno Piancastelli (área central) para receber orientações sobre sexo seguro. Hoje é o dia dos travestis: eles se reúnem fora do centro, na casa de um deles, e a expectativa é que o encontro reúna pelo menos 40 pessoas.
‘‘Esse encontro vai ficar na história de Londrina, porque nunca houve essa preocupação específica em levar informações para homem que faz sexo com homem’’, afirma Edson Bezerra, presidente do GHL. Além do bate-papo, também haverá distribuição de material informativo e preservativos.
Dois desses materiais serão lançados hoje, durante a oficina: são um cartaz e um folder, alertando os homossexuais sobre riscos da contaminação. ‘‘Mona esperta se previne’’, é o eslogam do novo material, estampado sobre a foto de duas cuecas penduradas num varal. O material também será distribuído em ‘‘pontos de pegação’’ da cidade - locais frequentados por homossexuais e michês -, principalmente banheiros públicos na área central.
Segundo Bezerra, o encontro de hoje será importante porque cerca de 80% dos homens que procuram os travestis não aceitam utilizar a camisinha durante a relação sexual, aumentando os riscos da contaminação. Entre os temas abordados, Bezerra comenta que será ensinado uma técnica de colocar a camisinha durante sexo oral sem que o cliente perceba.
Edson Bezerra lembra que um relatório da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estimou a existência de cerca de 8 mil homossexuais na Cidade. Desses, aproximadamente 2 mil frequentam o centro da Cidade e têm uma variação de parceiros muito intensa.
Um dos objetivos do GHL, segundo Bezerra, é justamente atrair esse público e levar melhores informações sobre a prevenção contra Aids. ‘‘Essas pessoas circulam na cidade, mas muitas vezes não nos procuram por questão de preconceito. Então é a gente quem procura as pessoas.’’
Hoje, o GHL conta com aproximadamente 120 pessoas cadastradas - entre homossexuais e travestis -, que recebem preservativos mensalmente.

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