Evento no HU debate a ética na Medicina
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segunda-feira, 04 de maio de 1998
Benê Bianchi 
César AugustoResgateEduardo Siqueira: Bioética pretende resgatar a pessoa humana Várias autoridades brasileiras e internacionais estão reunidas em Londrina para o 1º Encontro do Programa Regional de Bioética da América Latina e 1ª Jornada Latino-Americana de Bioética do Hospital Universitário. Os eventos, coordenados pelo médico José Eduardo de Siqueira, começaram ontem e terminam hoje, no anfiteatro do hospital.
A discussão sobre bioética é relativamente nova no Brasil e tem como principal objetivo a formação de profissionais mais humanos e qualificados. Segundo Siqueira, poucas universidades introduziram o ensino da bioética no curso de Medicina, entre elas a Universidade Estadual de Londrina, que já ministra a disciplina há três anos.
A ética médica como ensinada hoje é calcada no Código de Ética da Medicina, que é uma série de normas formuladas por um grupo de médicos. A bioética é interdisciplinar, envolvendo profissionais de saúde, filósofos, teólogos, sociólogos, antropólogos. Enfim, a ética humana é vista não só pelo microscópio do médico, observa Siqueira.
As discussões sobre bioética surgiram nos Estados Unidos na década de 70, quando os americanos perceberam que ainda eram feitas experiências com seres humanos não muito diferentes do que havia ocorrido no período nazista. Entre as experiências descobertas e admitidas pelo governo americano está a que envolveu um grupo de negros vítimas de sífilis. Parte dos doentes foram tratados e outros não, para que fossem observadas as consequências da doença no corpo humano.
Após as atrocidades da 2ª Guerra Mundial, criou-se o Tribunal de Nuremberg para julgar os crimes e na época se descobriu que a medicina foi usada de forma desumana. Mas isso ficou esquecido por um período de tempo e retomado na década de 70, nos Estados Unidos, quando foi elaborado o relatório Belmont, informa Siqueira. No relatório foram explicitados os quatro princípios da bioética: autonomia da pessoa humana, beneficência, não maleficência e justiça.
Siqueira esclarece que a não maleficência significa jamais fazer o mal. Já a beneficência, que poderia ser compreendida como sinônimo da não maleficência, envolve conceitos subjetivos. Ele exemplifica: O médico domina técnicas para um tratamento paliativo diante de um doente terminal. Mas essas técnicas envolvem sofrimento. Na ótica do médico, benefício é fazer o tratamento. Na ótica do paciente, benefício é a morte.
O ensino da bioética visa transformar o atendimento ao ser humano, entendendo-o como um ser que tem uma realidade biopsicossocial. Hoje se olha só o biológico, particularizando o órgão afetado, seja ele a vesícula, o coração. A bioética pretende resgatar a pessoa humana, comenta Siqueira.
Entre os palestrantes de hoje está Gabriel dEmpere, do Centro Nacional de Bioética da Venezuela, que falará sobre O dilema da suspensão de medidas terapêuticas em pacientes críticos. E também Juan Pablo Beca, da Universidade do Chile, que abordará A ética em cuidados intensivos de pacientes pediátricos.


