Evento lembra cardiologista pioneiro
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
Adriana De Cunto 
Dorico da SilvaCardiologia de pé-vermelhoO médico Luis Góis mostra a velha máquina do pai Adolfo: Na época, foi um grande avanço no diagnóstico de problemas de coraçãoOs médicos cardiologistas recém-formados que participam do 25º Congresso Paranaense de Cardiologia poderão saber como se fazia um eletrocardiograma na década de 50. Está exposto no estande da Merck Sharp & Dohme, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, o primeiro eletrocardiógrafo do norte do Paraná, que pertencia ao primeiro cardiologista da região de Londrina, o médico Adolfo Barbosa Góis, falecido em 1994, aos 83 anos.
O aparelho foi cedido para o congresso pelo filho de Adolfo Góis, o também cardiologista Luis Ernani Góis. Ele conta que o aparelho chegou na Cidade na década de 50 e representou, na época, um grande avanço no diagnóstico de problemas cardíacos. Muitos paranaenses fizeram exames neste aparelho e alguns estão vivos até hoje.
Luis Góis lembra que, antes da chegada do aparelho - da marca Sanborn Cardiette, de fabricação americana -, os pacientes londrinenses tinham que viajar para São Paulo para fazer eletrocardiograma. O aparelho exposto no congresso é da segunda geração da história dos eletrocardiógrafos. Ele já possui a inscrição direta e o resultado do exame sai na hora - como nos atuais. O primeiro tipo inventado era um aparelho de corda, que usava papel fotográfico. Demorava muito porque tinha que revelar o filme, afirma.
Como era o único eletrocardiógrafo do Norte do Paraná, Adolfo Góis levou muitas vezes o aparelho para Maringá e Apucarana, onde também examinava pacientes. Algumas dessas viagens foram feitas na companhia do filho Luis Góis, que recorda: O aparelho funcionava por válvula e dava muita interferência.
O antigo eletrocardiógrafo foi aposentado no final da década de 60, conta Luis Góis, e substituído por um portátil. Ele reconhece que naquela época o diagnóstico de um infarto acabava falhando muito. Hoje esse quadro mudou com os aparelhos mais modernos de ergonometria, ultrassonografia e medicina nuclear.
Apesar de todo avanço, o infarto é hoje, segundo Luis Góis, a maior causa de mortalidade no mundo. E quanto mais avançado o país, maior a porcentagem de doenças coronárias, alerta. Tudo isso devido a alimentação inadequada, fumo, stress, sedentarismo e competitividade.
Adolfo Góis foi homenageado ontem, junto com outro cardiologista pioneiro do Norte do Estado, o médico Saul Brofman, pela organização do 25º Congresso Paranaense de Cardiologia. Brofman mora em Curitiba e foi representado pelo filho, o cirurgião cardíaco Paulo Brofman.
Meu pai tinha espírito aventureiro, de pioneiro, conta Luis Góis. Adolfo Góis nasceu em Frei Paulo (SE) e cursou medicina em Salvador (BA). Ele chegou em Londrina em 1936 e foi um dos primeiros médicos da Cidade - o primeiro foi Anísio Figueiredo. Foi o fundador da Associação Médica de Londrina e o primeiro presidente da instituição. Também foi fundador da Santa Casa de Londrina, do antigo partido MDB na Cidade e duas vezes vereador.
Casou-se em Londrina com Ruth Caffaro Góis - que ainda mora na Cidade -, com quem teve quatro filhos, o ginecologista João Fernando Góis, o cardiologista Luis Ernani Góis, o psiquiatra Antônio Roberto Góis e a advogada Sonia Góis Giovenazzi.
Para Luis Góis, a homenagem representa o reconhecimento pelo trabalho do pai numa época difícil. Para mim, também é muito importante porque ele também era meu pai de profissão, quem transmitiu toda a sua experiência.
O presidente da comissão organizadora do congresso, Antônio Nechar Júnior, lembra que serão homenageados ainda todos os presidentes do evento, que está fazendo 25 anos. O Congresso Paranaense de Cardiologia começou ontem e vai até o próximo sábado, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra (esquina da avenida JK com a rua Souza Naves).


