Evento é aberto com críticas ao governo
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 1997
Lorena Aubrifkt Klenk 
Curitiba
O presidente da Federação Paranense de Associações de Criadores (Fepac), Hugo Rodacki, transformou a abertura da Feira do Paraná, ontem pela manhã, no Parque Castelo Branco, num cenário de críticas ao governo estadual pela política nas áreas fundiária e agropecuária. Diante do secretário da Agricultura, Hermas Brandão, e das poucas autoridades presentes à abertura, Rodacki pronunciou um duro discurso de tom político e alertou para as consequências imprevisíveis se prevalecer a cautela que pode ser interpretada como omissão das autoridades paranaenses em relação aos trabalhadores sem-terra.
O presidente da Fepac considerou inconcebível que não se encontre soluções e não se proponha ações técnicas que permitam acesso e distribuição de renda para todos. Mas criticou que isso seja feito pelo único caminho da pressão, da intimidação, da ameaça e do atentado ao direito de propriedade.
Rodacki também criticou a política do governo Jaime Lerner para a agropecuária. Segundo ele, não há muito a comemorar desde a feira de 96. Ele afirmou que os programas desenvolvidos pelo governo na área são poucos diante da contrapartida dada pelo setor para a economia do Estado.
Rodacki também pediu que o governo agilize a contratação de técnicos para fazer a sorologia do rebanho paranaense para permitir que o Estado seja reconhecido como área livre da febre aftosa, como já acontece com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Além do discurso do presidente da Fepac, outra marca da abertura da feira foi a chuva. No ano passado, cerca de 200 mil pessoas visitaram o Parque Castelo Branco durante os nove dias do evento. O secretário da Agricultura disse que a chuva poderá afetar a meta de público, mas não deverá influir no resultado financeiro.
A estimativa é de um volume de comercialização da ordem de R$ 20 milhões, contra R$ 18 milhões em 96. O destaque da feira são os 5.600 animais de 650 expositores. Na parte industrial, há 350 expositores do Brasil e de 20 outros países. É o setor onde a feira vem crescendo ano a ano, mostrando a potencialidade do Paraná para abrigar cada vez mais indústrias, disse o presidente da Emater e coordenador geral da feira, Rogério Faucz.
Durante a feira também será consolidada a transformação da fazenda modelo instalada no parque em Centro de Difusão de Tecnologias, voltado para melhoria da qualidade e produtividade da agropecuária do Estado.


