Evento discute função das farmácias
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quinta-feira, 09 de julho de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A presença de alimentos, bebidas e doces nas gôndolas das farmácias está sendo questionada pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) que, até o final do ano, pretende proibir a prática através da publicação de uma resolução que vai regulamentar esse tipo de comércio. O assunto foi discutido ontem no 15º Seminário de Aprimoramento Farmacêutico, realizado em Londrina pelo Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR). A venda desses produtos divide opiniões tanto dos comerciantes quanto dos consumidores.
De acordo com o presidente do CRF no Estado, Paulo Roberto Ribeiro Diniz, a entidade apoia a iniciativa da Anvisa. ''As farmácias precisam deixar de ser estabelecimentos comerciais para serem estabelecimentos de saúde'', disse. Ele afirmou que a presença de alimentos aumenta o risco de contaminação dos medicamentos. ''Uma embalagem rompida deixa expostos os alimentos, que podem atrair insetos e até mesmo ratos'', exemplificou.
Outro argumento é que a presença de tantos produtos pode comprometer a atuação do farmacêutico, que muitas vezes acaba confundido com os balconistas. ''A nova Resolução trará mais atribuições ao farmacêutico, que será o responsável por todos os serviços prestados pelos estabelecimentos''.
O presidente do Conselho Estadual de Saúde do Paraná, Antônio Garcez Novaes Neto, acrescentou que a limitação do comércio proporcionará um atendimento mais adequado aos usuários, com informações e orientações sobre os medicamentos. Para ele, outro risco desse comércio é que as pessoas entram na farmácia para comprar alimentos ou bebidas, se identificam com medicamentos expostos e acabam comprando remédios desnecessários. ''Há um risco maior de ocorrer a auto-medicação.''
Serviços
Rubens Augusto, da diretoria do Sindicato dos Proprietários de Farmácia de Londrina (Sinfarlon) e representante da Associação Brasileira das Redes de Farmácia, discorda da iniciativa da Anvisa. Ele defende que as lojas de conveniência nas chamadas 'drugstores' constituem um serviço para a população, que passa a ter acesso a alimentos e algumas bebidas em horários alternativos aos dos supermercados.
Ele lembrou que, no Paraná, a lei determina que os medicamentos sejam comercializados separados da área de conveniência, o que já seria suficiente para proteger o consumidor. ''Além disso, as farmácias trabalham apenas com produtos básicos, não podem vender qualquer tipo de mercadoria'', acrescentou. Augusto afirmou também que os alimentos e bebidas representam apenas 4% a 5% do faturamento, mas são importantes para atrair clientes e incrementar as vendas, possibilitando que os medicamentos sejam comercializados por valores mais acessíveis.
A estudante Glaciele Custódio Nogueira só vai à farmácia para comprar remédios ''quando é necessário'' e, por isso, não dá importância para as lojas de conveniência. ''Os produtos custam muito mais caro'', disse.
Consumidora de produtos oferecidos pelas 'drugstores', a cabeleireira Maria Lucia Camilo sempre compra bolachas, chocolates e balas quando vai adquirir medicamentos na farmácia. ''Não acredito que a venda desses produtos ofereça riscos ao consumidor, pelo contrário, acho bem prático poder comprar na farmácia. Se proibirem a venda, ficará pior.''


