Eutanásia e estresse. Dois temas que, a princípio, parecem tão distantes, mas que percebidos com retidão revelam semelhanças. Um decide sobre a vida ou morte alheia, outro sobre a própria vida; ações e decisões que nos levam à plena vida ou à lenta morte diária. ''Os homens têm colocado metas muito drásticas, mas não conseguem perceber o lúdico que a vida proporciona'', defende o reitor do Seminário Paulo VI, padre José Rafael Solano.
Ele coordenará duas mesas de debate do 2º Encontro de Bioética de Londrina, que será realizado na terça-feira (13). O evento é organizado pelo Comitê de Bioética da Santa Casa de Londrina e contará ainda com a participação de profissionais da saúde e especialistas em bioética. ''Queremos conscientizar a população de que a bioética está na nossa vida também e não apenas na dos profissionais de saúde. A bioética é aprender fazer da vida uma arte de viver bem''.
Padre José Rafael ensina que o ser humano vive uma necessidade de auto-conhecimento. ''É preciso que cada um de nós conheça bem seus princípios, descubra qual seu objetivo final de vida e pense como caminhar para conseguir isto''. Esta autonomia dada ao indivíduo é que o faz, seguindo o predito da Igreja Católica, defender a ortotanásia, que é a opção de deixar um doente em fase terminal morrer naturalmente. ''É deixar a vida fazer seu papel. Sem apressar ou decidir sobre isto''.
Sobre o estresse da vida moderna, tema da segunda mesa de debate do evento - que o padre aparenta domínio e prazer em discutir -, ele é taxativo: ''A nossa sociedade não tem parâmetro do lúdico. Só sabe trabalhar, mas não aproveitar a vida. Viver momentos de gozo, de recreação. Por isso as férias são tão cansativas para algumas pessoas, porque elas podem fazer um passeio turístico muito bom, mas que não é lúdico. Visitam vários lugares como se fosse uma ordem''.
Para melhorar a vida das pessoas, o sacerdote ensina uma simples medida; destinar alguns minutos ao anoitecer para reflexão sobre aquele dia vivido. ''É se perguntar: como foi esse dia? Como quem convivi, o que aprendi e ensinei? É reorganizar o que foi vivido para que possa haver um auto-conhecimento''. Além disso, padre José Rafel relembra a necessidade de se permitir o ócio grego: ''Eles (os gregos) viviam o verdadeiro ócio, que é o tempo de curtir as coisas que se ama''.


Serviço

- 2º Encontro de Bioética de Londrina acontece amanhã, das 8h30 às 17h30, no Hotel Sumatra. As inscrições custam R$ 5 (vagas limitadas). Informações pelo telefone (43) 3373-1643

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