Evento discute como diminuir a violência contra as crianças
Observar um bebê de menos de um ano e descobrir que suas assaduras não foram causadas por fraldas molhadas, mas sim por seu pai que o molestava sexualmente, pode ser um modo de reduzir a violência contra as crianças e o número de menores que fogem dos abusos sexuais para as ruas da cidade. Este exemplo é uma das propostas apresentadas dentro do Colóquio Internacional Interdisciplinar, que discute A Violência Infantil e a Resposta do Sujeito para apontar ações preventivas para reduzir a violência contra a criança. O evento acontece desde ontem, no Teatro da Reitoria, em Curitiba, e termina hoje. O encontro é promovido pelo Cien (Centro Interdisciplinar de Estudos del Ni¤o) que tem representantes no Brasil, França e Argentina.
O braço brasileiro do Cien possui unidades em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. No Paraná, um dos trabalhos mais importantes é desenvolvido em conjunto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e trata da observação de 80 crianças com menos de um ano em 60 creches da capital. A responsável pelo projeto, professora Maria Dávila Pereira, disse que o trabalho preventivo contra a violência, como o que retirou um bebê e seus nove irmãos da casa em que eram violentados pelo pai, tem o poder de provocar grandes resultados a custos reduzidos. Com 80 estudantes envolvidos no projeto, acompanhamos nas creches o desenvolvimento de problemas físicos, psicológicos e a ocorrência de violência, agindo antes que males maiores aconteçam, disse. Além deste projeto, vai ser apresentado um trabalho realizado pelo Cien francês na cidade de Bordeaux, que utiliza a linguagem musical do Rap para estabelecer contato com os menores de rua. A palavra é o estímulo que o indivíduo precisa para voltar a se conectar com a sociedade, desenvolver a auto-estima, diz a coordenadora do evento Gleuza Salomon. Para a coordenadora, o efeito sobre as crianças de ver a sua música pronta, sendo cantada por outros, é um resultado concreto do seu trabalho que pode facilitar o estabelecimento de uma nova conduta, em que a violência é deixada de lado.
Também estão previstas apresentações de trabalhos desenvolvidos na Argentina.Mauro FrassonGleuza Salomon é a coordenadora do encontro sobre violência infantilGuilherme Vieira





