Por conta de uma reprodução assistida, a paciente está com gestação óctupla. A redução embrionária é proibida por lei, mas levar uma gravidez assim adiante traz riscos para a mãe. O que o médico deve fazer numa situação como essa? É para encontrar respostas para casos similares que se recorre aos comitês hospitalares de bioética. No Paraná, segundo o cardiologista José Eduardo de Siqueira, apenas o Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (HU) tem um comitê nesses moldes.
Além de ser um dos oito integrantes do comitê do HU, Siqueira também foi o coordenador da 14 Jornada de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Paraná, que terminou ontem em Londrina. Cerca de 300 profissionais, entre médicos, enfermeiros, advogados, dentistas, participaram dos relatos de experiências de comitês do Rio Grande do Sul e São Paulo.
''Foi um encontro muito proveitoso porque as diferentes formações do público enriqueceram o debate'', explica Siqueira. Para o cardiologista, as discussões de bioética, que trata da ética da vida, ainda estão num estágio inicial. ''Ainda são poucos os hospitais que têm seus comitês, mas logo deverão estar presentes em todos'', avisa.
No HU, em um ano foram discutidos cerca de 15 casos que, de acordo com Siqueira, envolviam dilemas morais. ''Em geral casos da UTI (unidade de terapia intensiva), envolvendo questões de terminalidade da vida e também no pronto-socorro, com pacientes Testemunhas de Jeová que se recusam a permitir transfusões de sangue'', relata o médico.

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