Evento discute atendimento a bebês
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de novembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Arquivo Folha
Arquivo Folha
PrevençãoBebê Clínica da UEL (acima) foi criada em 83 e é responsável pelo baixo índice de cáries nas crianças londrinenses: 2,2%. Embaixo, o dentista Luiz Walter: dificuldades para convencer os profissionais da eficiência do método
Organizar, sistematizar e padronizar os procedimentos do atendimento odontológico a bebês em todo o País para otimizar o serviço. Este é um dos principais objetivos do 1º Encontro Nacional de Odontologia para Bebês, que começou ontem na Associação Odontológica do Norte do Paraná (AONP). Promovido pela coordenação do projeto Bebê-Clínica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o encontro está reunindo 350 profissionais de todo o país, do Peru, Argentina, Colômbia e Uruguai.
O projeto de assistência odontológica a bebês nasceu em Londrina. Foi implantado em 83 pelo dentista Luiz Walter, coordenador do projeto. Desde então, a experiência do projeto da UEL foi levada para outras cidades e Estados brasileiros. Durante o encontro, cada instituição que mantém projetos de atendimento odontológico a bebês vai apresentar suas experiências e resultados.
Segundo Luiz Walter, cerca de 70% da população de Londrina é atendida pelo serviço público que mantém o serviço de atendimento odontológico à bebês em 25 dos cerca de 50 postos de saúde do município.
O serviço, diz, é o principal responsável pelo baixo índice de cáries entre as crianças de zero a seis anos do município - 2,2 dentes com cárie por criança de zero a 12 anos. O índice de Londrina já é menor que a meta estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o ano 2.000 - 3 dentes cariados por criança até 12 anos. O projeto atende 12 mil crianças de zero a 12 anos.
Um estudo realizado em 95 mostrou que o atendimento reduziu sensivelmente a incidência de cáries entre as crianças de zero a cinco anos e que 78% das crianças de cinco a seis anos não apresentaram cáries.
A média de incidência de cáries em crianças desta faixa etária, no Paraná, no entanto é de 4,4%. Buscando atingir a meta estabelecida pela OMS, o Paraná é agora o primeiro Estado do País a adotar, oficialmente, uma política preventiva na área de odontologia para bebês. O assessor de política de saúde bucal da Secretaria Estadual de Saúde, o dentista Leo Kriger, anunciou ontem durante a abertura do encontro, que a decisão foi referendada no domingo, na conclusão do 3º Congresso Estadual de Saúde.
A proposta partiu da secretaria. A meta é treinar mais 150 profissionais e estar com o serviço implantado em 350 municípios até o final de 98 - o Paraná tem 399 municípios. O treinamento dos profissionais está sendo realizado através de parceria com a UEL. Já estamos investindo na formação e 214 dentistas de todo o Estado já passaram pelo treinamento, contou Kriger.
Ao todo, 80 municípios do sudoeste já implantaram o atendimento. Para serem atendidas, basta as prefeituras interessadas encaminharem um ofício para a secretaria pedindo a implantação do serviço, avisou.
Nossa principal luta tem sido convencer os profissionais de que os métodos simples são eficientes. E mostrar para as mães que não é preciso gastar muito para ter saúde, frisou o dentista Luiz Walter. Ele diz que existe uma certa resistência entre os profissionais da área aos métodos simples. O projeto exige apenas uma maca especialmente desenvolvida na UEL para o atendimento de crianças e um profissional treinado. O encontro termina na quarta-feira.


