As 79 participantes do 1º Encontro de Mulheres de Assentamentos de Reforma Agrária do Estado do Paraná, que começou ontem, em Curitiba, pretendem exigir do governo federal a criação de uma política específica para as mulheres sem-terra. A criação da chamada ‘‘Política de Gêneros’’, que instituiria projetos específicos para as mulheres que vivem em áreas de assentamentos, não está na pauta oficial do encontro, mas é uma das principais reivindicações dos participantes. ‘‘Ninguém imagina as dificuldades que as mulheres enfrentam todos os dias nesta luta’’, desabafa a sem-terra Claudete Sturmer.
Claudete, que há seis meses está assentada da Fazenda Santa Maria, no município de Paranacity, diz que está participando do encontro para poder ser ainda mais atuante no movimento dos sem-terra. Ela trouxe as duas filhas - Cristina, de 5 anos, e Dandara, de 1 ano e quatro meses - para participar do encontro. ‘‘Me disseram que era proibido, mas eu não tinha com quem deixá-las’’, diz.
Ontem, na abertura do encontro, o ministro de Política Fundiária Raul Jungmann também defendeu a importância das mulheres dentro do movimento dos sem-terra. ‘‘Elas são agentes de mobilização e organização nos acampamentos, e por isso devem ser tratadas com prioridade’’, afirmou.
O ministro disse que o governo pretende criar projetos nas áreas de educação e saúde, setores nos quais as mulheres, historicamente, têm mais influência que os homens.

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