Começou ontem em Londrina o seminário ‘‘Cultura, Saúde, Doença’’, que discute o significado do processo de adoecimento em diferentes culturas ou parcelas da população. Participam pesquisadores de várias instituições brasileiras, que vão expor ao público experiências bem sucedidas sobre o tema. Ministério da Sa© úde, Secretaria Municipal de Ação Social e Universidade Estadual de Londrina promovem o evento.
A conferência de abertura foi proferida pelo médico Raldo Bonifácio Costa Filho, integrante da Rede Nacional dos direitos humanos. Ele falou sobre a relação entre Aids e os direitos humanos, assunto em evidência nas discussões científicas atuais. Hoje, as palestras abordarão a forma de entendimento das doenças entre grupos específicos, incluindo jovens, mulheres, homens e na família em geral. No sábado, as atenções se voltam para a questão indígena.
A antropóloga Leila Jeolás, uma das coordenadoras do evento, explica que a intervenção na saúde, para prevenir ou curar doenças, só é eficiente quando há conhecimento da cultura referente ao grupo social envolvido. ‘‘É preciso entender os aspectos culturais antes de inteferir no grupo, por isso é importante que haja diálogo entre as ciências humanas e as da área de saúde. O seminário visa possibilitar essa troca de experiências’’, diz.
Entre as populações indígenas, explica, o entendimento das nuances culturais é preponderante para uma intervenção efetiva, porque eles encaram o processo de adoecimento de forma particular, identificada com sua história e tradições. Despreparados sobre as consequências das ‘‘doenças de branco’’, eles ficam mais suscetíveis ao contágio.
Aids, diabetes, alcoolismo e desnutrição são alguns dos problemas mais relevantes entre estas populações, informa Marlene de Oliveira, também coordenadora do evento e responsável pelo Programa de Atendimento ao Kaingang da Secretaria de Ação Social de Londrina. ‘‘O contato com o branco ocasionou uma transformação cultural e epidemiológica nessas populações. O atendimento exige uma compreensão, por nossa parte, de como eles concebem a doença’’, afirma Marlene.
Em 1997, foi realizado o ‘‘Seminário Macrorregional sobre DST/Aids e populações indígenas’’, que resultou em programas multiplicadores de informação sobre a doença nas aldeias. ‘‘O atual seminário pretende dar continuidade ao tema, ampliando as discussões sobre essa questão’’, informa.

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