Evento debate produção alimentar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoProdução familiar, principal preocupação dos participantesRepresentantes de entidades não-governamentais que participam do Encontro Internacional Sociedade, Democracia e Agricultura - A Segurança Alimentar, em Cascavel, visitaram ontem assentamentos de lavradores sem-terra no Centro-Oeste do Estado. Antes eles conheceram uma agroindústria que emprega modernas tecnologias e a hidrelétrica de Itaipu, maior obra do gênero no mundo, mas que teve graves reflexos sociais no Oeste paranaense.
O evento, com representantes de todos os continentes, teve uma etapa em Foz do Iguaçu, na semana passada. Em Cascavel a abertura foi segunda-feira e o encerramento hoje. A promoção é da entidade APM (Agriculture Paysane et Modernization), formada por organizações não-governamentais, fundações, pesquisadores e voltada à melhoria da condição alimentar dos povos como fator de preservação da democracia. Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) prestam apoio.
Segundo o professor José Kuiava, da Unioeste, os participantes visitam locais que consideram importantes, levantam informações, promovem debates e apresentam conclusões e propostas aos organismos específicos, como a Organização das Nações Unidas.
As preocupações principais são com a desestruturação da produção de alimentos básicos pelas famílias de pequenos agricultores, por causa do favorecimento a exportações feito pelos governos; com o êxodo rural e o desemprego no campo. Estes são alguns dos resultados da globalização, disse Francisco Menezes, coordenador de Segurança Alimentar do Ibase. Menezes defende a reforma agrária como maneira mais barata de produzir empregos e alimentos.
Ele salienta que o assentamento de uma família de lavradores custa R$ 16 mil - menos que a geração de um emprego industrial. Em Cantagalo, os participantes conheceram experiências da cooperativa Coagri - que atua em acampamentos e assentamentos de sem-terra - na organização das etapas de produção, comercialização e fornecimento de insumos e maquinários.
José Uliano Camilo, coordenador da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu e participante do Encontro, informou que a base da produção dos assentamentos é a agricultura familiar, como defende a APM.


