O cérebro sofre uma descarga elétrica que fulmina a parte que toma conta de nossa sensibilidade. Do lado de fora, a pessoa contorce o rosto e coloca a mão sobre a cabeça num gesto impotente para afastar a dor. Cerca de 18% da população brasileira passa por esta experiência conhecida por enxaqueca. Ontem à noite, um seminário, em Curitiba, discutiu formas de controlar os efeitos da doença, que ainda é um mistério para a medicina.
A podóloga Marlene Pereira Francene, 30 anos, convive com dores de cabeça frequentes há 10 anos. ‘‘É horrível, deixa a gente estressada. A minha, quando dá, vai um dia todo e uma noite. É um caso sério’’, tenta descrever. Assim como os médicos, Marlene não sabe como a doença apareceu. ‘‘Não tenho explicação. Já disseram que é a alimentação, mas fiz dieta e não adiantou.’’ O pai de Marlene também tem enxaqueca.
De acordo com o neurologista Élcio Juliato Piovesan, a herança genética é um fator que contribui para a proliferação da enxaqueca. ‘‘De cada quatro pacientes, três são mulheres’’, diz o especialista. A única forma de combater a doença é buscar um tratamento que possa amenizar as crises, que não têm hora para se manifestar. ‘‘Ela não tem cura, mas com um tratamento profilático adequado, pode haver haver um controle.’’
Junto com o tratamento, Marlene diz que passou a tomar um chá à base de ervas. O pai tomou e afirma ter se curado, segundo ela. Por enquanto, Marlene garante que a enxaqueca não a incomoda há uma semana, período em que ela enfrentava até três dores de cabeça. Élcio Piovesan não recomenda a automedicação. Segundo ele, é preciso procurar um especialista para não prejudicar ainda mais o estado de saúde.
‘‘Existem pacientes que tomam 16 comprimidos numa crise e isso pode dificultar cada vez mais o tratamento da doença’’, diz Piovesan. O neurologista avisa que nem toda dor de cabeça pode ser diagnosticada como enxaqueca. ‘‘Temos mais de 130 tipos. Nem tudo que dói é a doença.’’ Ele aconselha que se as dores forem frequentes, um especialista deve ser consultado. ‘‘Se a dor for frequente, é bom ter cuidado. A dor de cabeça pode ser o sinal de algo mais grave.’’ Mesmo causando dor intensa, Piovesan observa que a enxaqueca nunca foi a causa da morte de um paciente.

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