Representantes de centrais elétricas de vários estados, fundações e órgãos oficiais do meio ambiente estão reunidos desde ontem no canteiro de obras da hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, no município de Capitão Leônidas Marques, no Encontro do Setor Elétrico sobre Operações de Enchimento de Reservatórios e Resgate de Fauna.
Os especialistas, que encerram hoje o encontro, querem uniformizar procedimentos nas complexas operações de salvamento de animais ao longo de reservatórios, e a operação em Salto Caxias deve ser o ponto de partida para esta uniformização. As comportas da hidrelétrica da Copel serão fechadas em 15 de setembro. Após dois meses, estará fechado o reservatório, de 132 quilômetros quadrados, alagando terras em nove municípios do Oeste e Sudoeste do Paraná.
A necessidade de preservar a biodiversidade foi destaque nos debates no primeiro dia do encontro. A bióloga Beloni Pauli Martere, da Fundação de Assistência Técnica e Proteção do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), resumiu o entendimento dos ambientalistas, ao dizer que ‘‘nossa biodiversidade está indo para o ralo’’. No caso de reservatórios, ela observou que o enchimento ocorre em curto espaço de tempo e por isso ‘‘concentra-se o impacto sobre o meio ambiente’’ , com supressão de áreas e ‘‘indivíduos’’ , ou seja, exemplares da fauna.
Beloni Martere e outros especialistas defendem a tese de que ações de salvamento sejam iniciadas junto com a implantação de canteiros de obras, prossigam na fase crítica das obras (no caso de barragens, durante o enchimento dos reservatórios) e prossigam e forma permanente.
‘‘Estas são as três vertentes corretas do processo’’ , disse Fernando Dal’Ava, da coordenadoria de fauna do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Segundo ele, operações de salvamento devem servir também para aprofundar a investigação sobre animais em extinção no País.
Fernando Dal’Ava comentou também a nova legislação ambiental, principalmente a lei 9.605, de fevereiro deste ano, conhecida como ‘‘Lei de Crimes Ambientais’’, que considera ‘‘adequadamente rigorosa’’, mas factível se houver a efetiva estruturação dos órgãos fiscalizadores, inclusive em estados e municípios.
A própria Constituição Brasileira dá atenção especial às questões do meio ambiente, dedicando-lhe capítulo exclusivo. A barragem de Salto Caxias é a primeira construída após a promulgação da Constituição, em 88.
Por isso, também, a Copel dedicou atenção especial a programas voltados aos impactos ambientais sobre o homem, flora e fauna. Para o salvamento de animais, já estão em curso ações preparatórias, com envolvimento de órgãos ambientalistas, universidades e outras instituições. O engenheiro Antonio Fonseca dos Santos, gerente da coordenadoria de impacto ambiental de Salto Caxias, relatou que a operação neste reservatório ‘‘já deverá seguir diretrizes básicas da proposta de padronização dos procedimentos no País’’.
Na região de Salto Caxias há cachorros-do-mato, gatos-do-mato, aves aquáticas, lontras (em risco de extinção) e alguns exemplares dos pouco comuns jacarés-do-papo-amarelo e macacos-prego. Os animais em maior número são as serpentes, de 40 espécies, predominando a cascavel. Em termos de ictiofauna, o Rio Iguaçu tem 64 espécies de peixes, dos quais 75% exclusivas deste curso d’água.
A operação começa em agosto envolvendo cerca de 60 pessoas que utilizarão carros, barcos e helicópteros. A população será alertada para alguns cuidados, como possíveis ataques de cobras em fuga.

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