Evento cobra policiamento nas escolas
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NeginiPeríodo de entrada e saída dos colégios representa risco de agressão envolvendo gangues de alunosParticipantes do fórum de debate sobre a violência nas escolas de Maringá cobraram ontem mais policiamento na frente dos colégios. Os organizadores do evento acreditam que a polícia tem condição de identificar e combater as gangues e os traficantes que estão agindo até dentro das escolas.
A ação violenta das gangues contra os estudantes e a presença de traficantes nos estabelecimentos de ensino são problemas que afligem os pais, professores e diretores de escolas. Eles se sentem inibidos diante das ameaças dos agressores e pedem policiais permanentemente na frente dos colégios.
O fórum de debate foi realizado ontem à tarde, na Câmara de Vereadores, e contou com a participação de representantes da Justiça, Polícia Civil, Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, Conselho Municipal de Segurança, Núcleo Regional de Ensino e Secretaria Municipal de Educação.
O investigador de polícia e vereador Miguel de Oliveira foi o coordenador do fórum. Ele apresentou como alternativa para o combate à violência a criação da patrulha escolar. Segundo ele, somente policiais especialmente designados para garantir a segurança nas escolas podem identificar os autores das agressões e os traficantes.
É comum verificar na frente dos colégios um aglomerado de pessoas que não são nem estudantes, nem professores ou funcionários. Estes aglomerados acabam dificultando a identificação das gangues e dos traficantes pelos policiais que hoje só passam em frente ao estabelecimento de ensino, justificou. Conforme o vereador, a patrulha escolar já foi implantada em Curitiba e conseguiu reduzir a violência nas escolas da capital.
Segundo Oliveira, a maioria das vítimas de violência nas escolas evita registrar queixa na delegacia. Ele citou uma denúncia que recebeu há dois dias, contra um traficante que estaria vendendo drogas dentro de uma escola localizada no centro de Maringá. Por causa da truculência do rapaz traficante, a maioria das pessoas não denuncia, disse.
Para o juiz da Vara da Infância e Juventude, Renê Pereira da Costa, o problema da violência nas escolas é grave e deve ser combatido com urgência. Ele propõe convocar os aposentados para que trabalhem como vigilantes voluntários nas escolas. Pretendo convocar os aposentados até o final do mês, mas mesmo assim acredito que a Polícia Militar deve fazer um intenso trabalho na frente dos colégios para inibir a ação das gangues e identificar e combater os traficantes, disse.
O delegado adjunto da 9ª Subdivisão Policial, Luiz Norberto Canhoto, disse que as polícias Civil e Militar estão limitadas na ação de combate às gangues. As principais dificuldades de abordagem e repressão contra as gangues e traficantes que estão atuando nas escolas, conforme Canhoto, são a falta de efetivo e os direitos garantidos aos menores.


