Evasão provoca prejuízo de R$ 1,6 mi à UEL
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sábado, 27 de novembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
A Universidade Estadudal de Londrina (UEL) sofre prejuízos anuais de R$ 1,65 milhão com a evasão escolar. O índice é considerado baixo quando comparado com a média de evasão das universidades do Estado de São Paulo: enquanto na UEL a quantidade de vagas ociosas nos cursos chegou a 4,48% em 2003, a média das instituições de ensino superior no Estado vizinho é de 28%. A direção da universidade acredita que a incompatililidade vocacional seja a causa mais importante para a evasão em Londrina.
Os dados foram levantados pelo pró-reitor para Assuntos de Ensino e Graduação da UEL, professor Jairo Queiroz Pacheco, e consideram a média de custos por aluno na graduação. ''Cada estudante custa R$ 2,9 mil por ano ao governo do Estado. O curso mais caro é o de medicina, onde cada vaga custa R$ 9,3 mil, e o mais barato, o de ciências contábeis, valendo R$ 1,3 mil'', enumerou.
Segundo ele, o cálculo leva em conta somente os gastos diretos da universidade com os cursos de graduação. Somando-se a estes valores o dinheiro aplicado em todos os serviços prestados pela UEL à comunidade acadêmica, o valor médio por aluno sobe para R$ 10 mil, o que aumenta o prejuízo total em mais de 200%.
''Se somássemos todos os gastos com infraestrutura necessários para que a instituição funcione e ofereça os cursos para a comunidade, o prejuízo pode chegar a quase R$ 5 milhões anuais. Mas não podemos levar estes números em conta, já que há aplicações indiretas dos recursos da universidade que não podem ser contabilizados como prejuízos. A oferta de serviços para a população, por exemplo, não pára se temos um aluno a menos no curso, e isso ameniza os danos'', explicou Pacheco.
Economia noturno, com 45 vagas remanescentes em 2004, agronomia e administração (ambos com 22) são os cursos com maiores índices de evasão em Londrina. O pró-reitor credita à incompatibilidade vocacional a causa maior para o abandono. ''O aluno que não conhece o curso antes de prestar vestibular corre sérios riscos de se decepcionar. Isso o empurra a desistir. Além do mais, fatores sócio-econômicos como necessidade de trabalhar e falta de amizades também colaboram.''
O engenheiro Alexandre Barroso e a vendedora da Camila Silveira Rodrigues desistiram dos cursos de administração e biblioteconomia, respectivamente, por acreditarem que não estavam desenvolvendo as vocações. Barroso, que optara por cursar administração em 2001 como curso complementar ao de engenharia, também sofreu com a maior greve já registrada na história da universidade os docentes ficaram parados por mais de quatro meses. ''Já não estava gostando da faculdade. Quando a greve começou, desanimei de vez. Além do mais, precisava de tempo para me dedicar ao emprego'', explicou.
Camila precisou cursar um ano de biblioteconomia em 2003 para descobrir que o que desejava realmente estudar era estilismo em moda. ''Escolhi o curso porque a concorrência era baixa. Não tinha faculdade e queria estudar'', contou. ''Agora que trabalho como vendedora em uma loja de confecção infantil, descobri que gosto de trabalhar com roupas.''


