Evasão escolar aproxima jovens do crime
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sábado, 07 de julho de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Tendo de um lado a oferta de trabalhos braçais e mal remunerados, e de outro o dinheiro fácil do tráfico e do roubo, não chega a surpreender que jovens pobres e com baixa escolaridade muitas vezes escolham a segunda opção. ''Quem tem boa índole não cede às tentações'', diriam alguns. Mas não seria melhor evitar que esses mesmos jovens fossem postos à prova, garantindo a todos uma educação que pudesse afastá-los tanto do crime, quanto do fantasma do desemprego?
Londrina, como a maioria das grandes cidades brasileiras, está longe de oferecer tal garantia. Na semana passada, a Polícia Civil divulgou que 75% das 1.292 pessoas presas ou apreendidas na cidade no primeiro semestre de 2007 não concluíram o Ensino Fundamental e estavam fora da escola. Coincidentemente, a mesma porcentagem de presos tinha menos de 25 anos. Em maio último, a promotora da Vara de Infância e Juventude de Londrina, Édina de Paula, já afirmara à FOLHA que 60% dos adolescentes infratores não estavam estudando ou tinham baixo rendimento escolar.
O Núcleo Regional de Educação (NRE) informou não ter dados disponíveis sobre o índice de evasão escolar entre jovens em Londrina. Se inserirmos o município no contexto estadual, porém, veremos um quadro nada animador. Conforme o Censo Escolar 2006, o último divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), cerca de 100 mil estudantes paranaenses matriculados nos ensinos Fundamental e Médio abandonaram a escola no ano de 2005. Somente entre a 5 e a 8 séries, foram registradas 37,4 mil ''baixas'' (confira o quadro).
''Geralmente esse menino que abandona a escola já pertence a uma classe econômica menos favorecida. A mediação que o professor pode fazer entre ele e o conhecimento é a médio e longo prazo. Nisso, o aluno se impacienta e busca um atalho, como as drogas'', avalia a assistente de chefia do NRE-Londrina, Marlene de Mello.
A professora admite que a evasão escolar é um dos grandes desafios a serem enfrentados no município e que a baixa escolaridade pode ter relação com a violência. ''A escolarização não é passaporte para a honestidade, mas sem dúvida o contato com o conhecimento abre portas e janelas para o indivíduo enxergar outras possibilidades de vida.''
Para tentar solucionar o problema, diz Marlene, o NRE recomenda que primeiramente as escolas busquem em índices como o recém-divulgado Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) um ''espelho'' de sua realidade. Em seguida, que levantem o número de matrículas, de encaminhamentos para salas de apoio e os registros de desempenho escolar - o material será discutido durante a semana de capacitação (de 23 a 25 de julho).
''Cada escola deverá elaborar um relatório falando das dificuldades e causas internas e externas, que será encaminhado ao NRE a fim de que possamos sistematizar um trabalho para escolas que tenham o mesmo perfil estrutural'', explicou a assistente. Ela frisou que a presença de pedagogos nas escolas, ''que não existia há quatro anos'', facilita a identificação e resolução das deficiências.
Para a conselheira tutelar do Conselho Norte, Edeni Ramos Villela, a solução para a evasão escolar seria a implantação de equipes multidisciplinares nas escolas para dar respaldo aos professores. ''Passou da hora de o NRE e a secretaria municipal de Educação fazerem isso. É preciso ter psicólogos e assistentes sociais para falar com a família do aluno, ensinar os pais a lidarem com os filhos, a colocar limites através do diálogo'', colocou.


